Diarreia, barriga inchada e dor abdominal são sintomas conhecidos da doença celíaca, mas nem todo adulto apresenta esse padrão. Em algumas pessoas, anemia que não melhora, cansaço persistente, aftas recorrentes ou perda de massa óssea podem ser as principais pistas. Como essas alterações também aparecem em muitas outras condições, o diagnóstico depende de exames e há um cuidado importante antes de investigar: não retirar o glúten da alimentação por conta própria.
Por que a doença celíaca pode causar sintomas fora do intestino?
A doença celíaca é uma condição autoimune desencadeada pelo glúten em pessoas geneticamente predispostas. A reação provoca inflamação e lesões no intestino delgado, especialmente nas estruturas responsáveis pela absorção de nutrientes. Mesmo quando não existem diarreia ou cólicas importantes, essa alteração pode interferir na absorção de ferro, vitaminas e outros nutrientes.
O Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais dos Estados Unidos explica que pessoas com doença celíaca podem ter manifestações digestivas, sintomas em outras partes do corpo ou até não apresentar sintomas perceptíveis. Nos adultos, portanto, a ausência de queixas intestinais não exclui a doença.
Anemia que não melhora pode ser uma das pistas
A deficiência de ferro é uma manifestação importante porque a região inicial do intestino delgado, afetada pela doença celíaca, participa da absorção desse mineral. Assim, algumas pessoas descobrem a condição durante a investigação de uma anemia por falta de ferro sem causa clara ou que volta mesmo após a reposição.
O American College of Gastroenterology inclui anemia, deficiência de ferro, fadiga e redução da massa óssea entre as possíveis manifestações da doença celíaca. Isso não significa que anemia seja sinônimo de doença celíaca. Sangramentos, alimentação, menstruação intensa e várias outras condições também precisam ser consideradas.

Que outros sinais podem aparecer sem diarreia?
Os sintomas variam bastante de uma pessoa para outra. Algumas manifestações que podem chamar atenção mesmo quando o intestino parece funcionar normalmente incluem:
- cansaço persistente, que pode estar relacionado à anemia ou a deficiências nutricionais;
- aftas recorrentes e outras alterações na boca;
- osteopenia ou osteoporose, relacionadas, entre outros fatores, à absorção inadequada de cálcio e vitamina D;
- anemia por deficiência de ferro persistente ou sem uma explicação evidente;
- alterações neurológicas ou outras deficiências nutricionais em alguns pacientes.
O conteúdo do Tua Saúde sobre doença celíaca mostra que a condição pode surgir em adultos com manifestações bastante variadas, incluindo cansaço e sinais relacionados à má absorção de nutrientes.
Como é feito o diagnóstico em adultos?
A investigação geralmente começa com exames de sangue que procuram anticorpos associados à doença, especialmente o antitransglutaminase tecidual IgA. O médico também pode solicitar a dosagem de IgA total e outros testes, dependendo do caso. Se os resultados e a suspeita clínica apontarem para doença celíaca, a avaliação costuma ser complementada com endoscopia e biópsias do intestino delgado.
O diagnóstico não deve ser feito apenas porque alguém melhora depois de retirar pão ou massas da alimentação. Sintomas semelhantes podem ocorrer em outras condições, inclusive na sensibilidade ao glúten não celíaca e em problemas gastrointestinais sem relação direta com o glúten.

Por que não se deve cortar o glúten antes dos exames?
Retirar o glúten antes de terminar a investigação pode dificultar o diagnóstico. Os exames procuram justamente sinais da reação do organismo à proteína. Quando trigo, cevada e centeio são eliminados, os níveis dos anticorpos podem diminuir e as lesões do intestino podem começar a melhorar.
O NIDDK orienta que a dieta sem glúten não seja iniciada antes dos testes diagnósticos porque ela pode alterar os resultados. Por isso, quem apresenta anemia persistente, aftas frequentes, cansaço, perda de massa óssea ou outros sinais compatíveis deve conversar com o médico antes de mudar a alimentação. Depois da confirmação da doença celíaca, a exclusão permanente do glúten passa a fazer parte do tratamento.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação individual de um profissional de saúde.









