O ácido úrico alto aumenta a possibilidade de formação de cristais de urato nas articulações, que podem desencadear a dor e o inchaço típicos da gota. Reduzir cerveja e bebidas açucaradas, moderar alimentos muito ricos em purinas, evitar a desidratação e perder peso quando necessário são medidas que podem ajudar a diminuir o risco. Ainda assim, nem toda pessoa com ácido úrico elevado terá gota, e mudanças na alimentação nem sempre são suficientes para normalizar o exame.
Por que o ácido úrico alto pode terminar em uma crise de gota?
O ácido úrico é produzido durante a quebra das purinas, substâncias presentes naturalmente no organismo e em diversos alimentos. Quando há urato demais circulando no sangue durante tempo suficiente, cristais podem se formar e se depositar nas articulações, provocando uma reação inflamatória intensa. O NHS explica que níveis elevados de ácido úrico favorecem a formação desses cristais e que fatores como excesso de peso, álcool e desidratação estão relacionados à gota.
Por outro lado, um exame alterado não significa que uma crise necessariamente acontecerá. Genética, função dos rins, medicamentos e outras condições de saúde também interferem no risco.
Quais 5 mudanças podem ajudar no dia a dia?
A diretriz do American College of Rheumatology recomenda para pessoas com gota limitar álcool, purinas e alimentos ou bebidas ricos em xarope de milho com alta frutose, além de perder peso quando existe sobrepeso ou obesidade. Na rotina, essas recomendações podem ser traduzidas em cinco mudanças práticas:
- Reduzir cerveja e outras bebidas alcoólicas: o álcool está associado tanto a níveis mais altos de ácido úrico quanto a maior risco de crises. A cerveja merece atenção especial.
- Trocar refrigerantes e bebidas açucaradas por água: bebidas ricas em açúcares e frutose podem favorecer o aumento do ácido úrico. Fazer da água a bebida principal também ajuda a evitar a desidratação, que pode funcionar como gatilho para crises.
- Diminuir vísceras e excesso de carne vermelha: fígado, rim e outras vísceras possuem grande quantidade de purinas. Carnes vermelhas também devem entrar com moderação, sem necessidade de retirar indiscriminadamente todas as fontes de proteína.
- Perder peso gradualmente se houver excesso de peso: emagrecer pode contribuir para níveis menores de ácido úrico e menor risco de recorrência. Dietas radicais e jejuns prolongados não são uma boa estratégia.
- Incluir laticínios com pouca gordura: leite e iogurte com menor teor de gordura podem fazer parte da alimentação e aparecem associados a menor risco de gota em estudos observacionais.

Laticínios realmente têm relação com um risco menor?
A associação aparece em diferentes pesquisas, embora isso não transforme leite ou iogurte em tratamento. Em um estudo prospectivo que acompanhou mais de 47 mil homens por 12 anos, o maior consumo de laticínios esteve associado a menor ocorrência de novos casos de gota. Por ser um estudo observacional, ele mostra associação e não prova que o alimento sozinho seja responsável pela proteção.
O Tua Saúde inclui leite e derivados com baixo teor de gordura entre as opções que podem fazer parte da alimentação para gota. Para quem não consome laticínios ou tem intolerância, não é necessário começar a usá-los apenas por causa do ácido úrico.
Essas mudanças conseguem baixar o ácido úrico sem remédio?
Nem sempre. A própria diretriz do American College of Rheumatology destaca que alterações isoladas na dieta costumam produzir mudanças relativamente pequenas na concentração de ácido úrico. Elas são úteis para reduzir gatilhos e melhorar a saúde de forma geral, mas pessoas com crises recorrentes, tofos, lesões articulares ou algumas outras condições podem precisar de medicamentos que reduzem o urato.
Também não é indicado suspender alopurinol ou outro tratamento porque a alimentação melhorou. O controle deve combinar os hábitos possíveis com a estratégia definida pelo médico, especialmente quando já existe diagnóstico de gota.]

Quando o ácido úrico alto precisa de avaliação?
Quem encontra ácido úrico elevado em um exame deve discutir o resultado com o médico, principalmente quando já teve dor súbita, vermelhidão e inchaço intenso em uma articulação, crises anteriores, pedras nos rins ou doença renal. A necessidade de medicamento não é determinada apenas pelo número do exame.
Uma articulação subitamente muito dolorida, quente e inchada pela primeira vez também merece avaliação, porque outros problemas, inclusive infecção articular, podem produzir sintomas semelhantes aos da gota.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação médica ou nutricional.









