Tomar omeprazol diariamente por meses ou anos pode favorecer alterações nos níveis de vitamina B12 e, em alguns casos, de magnésio. Isso merece atenção especial depois dos 60 anos, quando outros fatores também podem dificultar o aproveitamento de nutrientes. O risco, porém, não significa que todas as pessoas terão deficiência nem que o medicamento deva ser suspenso. Quem usa omeprazol continuamente deve revisar com o médico se a indicação e a dose continuam adequadas.
O que o omeprazol faz com a acidez do estômago?
O omeprazol pertence aos inibidores da bomba de prótons, conhecidos como IBPs. Esses medicamentos reduzem de maneira intensa a produção de ácido gástrico e são importantes no tratamento de problemas como refluxo, esofagite e úlceras. Em algumas situações, o uso por períodos longos é realmente necessário.
O conteúdo do Tua Saúde sobre para que serve o omeprazol e quais são seus possíveis efeitos colaterais explica que o medicamento diminui a produção de ácido no estômago e que o tratamento prolongado pode estar relacionado à má absorção de alguns nutrientes.
Por que a vitamina B12 pode cair com o uso prolongado?
A vitamina B12 presente naturalmente nos alimentos costuma estar ligada a proteínas. Para que possa ser absorvida, primeiro precisa ser liberada durante a digestão, e o ácido produzido pelo estômago participa dessa etapa. Ao manter a acidez reduzida durante muito tempo, medicamentos como o omeprazol podem dificultar esse processo.
O Office of Dietary Supplements dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos informa que inibidores da acidez, incluindo o omeprazol, podem interferir na absorção da vitamina B12 dos alimentos. A deficiência pode demorar anos para produzir manifestações e, quando ocorre, pode estar associada a anemia, cansaço e alterações neurológicas, como formigamentos.

Por que depois dos 60 anos a atenção com B12 aumenta?
Os 60 anos não representam um limite a partir do qual o omeprazol passa repentinamente a causar deficiência. A idade entra no título porque adultos mais velhos já apresentam maior probabilidade de problemas que reduzem a absorção de B12, como a gastrite atrófica, que diminui a produção de ácido e, em alguns casos, de fator intrínseco, proteína necessária para a absorção adequada da vitamina.
Isso significa que idade, alimentação, doenças do aparelho digestivo e outros medicamentos podem se somar ao uso prolongado do omeprazol. Por essa razão, a necessidade de investigar vitamina B12 deve ser individualizada, principalmente diante de anemia, fraqueza persistente, formigamentos ou outros fatores de risco.
E o magnésio, também depende do ácido do estômago?
A relação é um pouco diferente. Não é correto explicar a queda do magnésio apenas dizendo que o estômago ficou menos ácido. O uso prolongado dos IBPs pode, em casos pouco frequentes, prejudicar mecanismos de absorção intestinal do mineral e provocar hipomagnesemia, que é a redução do magnésio no sangue.
O NIH informa que inibidores da bomba de prótons podem causar hipomagnesemia durante tratamentos prolongados, geralmente superiores a um ano. Em casos importantes, podem surgir fraqueza, cãibras, alterações do ritmo cardíaco e outros sintomas. O risco também pode exigir mais atenção quando a pessoa usa medicamentos que afetam o magnésio, como determinados diuréticos.

Quem toma omeprazol há anos deve parar?
Não por conta própria. Algumas pessoas realmente precisam manter o medicamento por longo prazo, e interrompê-lo sem avaliar a doença que motivou a prescrição pode trazer problemas. Além disso, depois do uso prolongado pode ocorrer aumento temporário da produção de ácido após a retirada, provocando retorno ou piora da azia.
O mais adequado é revisar periodicamente com o médico por que o omeprazol está sendo usado, se a indicação continua válida e se a dose ainda é necessária. Exames de vitamina B12 ou magnésio não precisam ser feitos automaticamente por toda pessoa que usa o remédio, mas podem ser indicados conforme tempo de tratamento, idade, sintomas, alimentação, doenças prévias e outros medicamentos. Também não é recomendado começar suplementos apenas por prevenção sem avaliar se existe deficiência.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica, diagnóstico ou orientação individualizada sobre medicamentos.









