Ter colesterol total e LDL dentro das metas é importante, mas não elimina todos os fatores que aumentam o risco cardiovascular. A lipoproteína(a), ou Lp(a), é uma partícula influenciada principalmente pela genética que pode acrescentar risco de infarto e AVC mesmo quando o colesterol habitual está controlado. Por isso, diretrizes recentes passaram a recomendar sua dosagem pelo menos uma vez na vida adulta.
O que é a lipoproteína(a) e por que ela importa?
A Lp(a) é semelhante a uma partícula de LDL, mas possui ligada a ela uma proteína chamada apolipoproteína(a). Quando aparece em concentrações elevadas, está associada à formação de placas nas artérias e a maior risco de doença cardiovascular aterosclerótica. O American College of Cardiology destaca que a concentração da Lp(a) é predominantemente determinada pela genética e tende a permanecer relativamente estável ao longo da vida.
Essa característica diferencia a Lp(a) de vários fatores cardiovasculares modificáveis. Alimentação equilibrada, atividade física e controle do peso continuam importantes para o coração, mas geralmente produzem pouca redução direta nos níveis de Lp(a).
Como alguém pode ter LDL controlado e Lp(a) alta?
O lipidograma habitual informa principalmente colesterol total, LDL, HDL e triglicerídeos. A Lp(a) não aparece automaticamente como um desses resultados e precisa ser dosada especificamente. Assim, é possível atingir uma boa meta de LDL e ainda apresentar uma concentração elevada dessa outra lipoproteína.
A American Heart Association explica que a Lp(a) elevada acrescenta risco cardiovascular e que o exame comum de colesterol não inclui sua dosagem. Isso não significa que o LDL deixou de ser importante. Os dois resultados oferecem informações diferentes e são avaliados junto com pressão arterial, diabetes, tabagismo, idade, histórico familiar e outros fatores.

Por que esse exame passou a ser recomendado uma vez na vida?
A recomendação ganhou força justamente porque a Lp(a) é muito influenciada pela herança genética e costuma variar pouco ao longo dos anos. A diretriz de dislipidemias da American Heart Association e do American College of Cardiology publicada em 2026 recomenda medir a Lp(a) pelo menos uma vez para melhorar a avaliação do risco cardiovascular.
Embora a orientação alcance os adultos de forma geral, conhecer o resultado pode ser especialmente relevante quando existem situações como:
- infarto ou AVC em idade precoce na própria pessoa ou na família;
- parentes próximos com Lp(a) elevada;
- hipercolesterolemia familiar;
- doença cardiovascular que ocorreu apesar do controle de fatores tradicionais;
- necessidade de avaliar com mais precisão o risco cardiovascular individual.
O que significa quando a lipoproteína(a) está alta?
Um resultado elevado não significa que a pessoa necessariamente terá um infarto ou AVC. Ele indica um fator adicional que deve entrar na avaliação global. A diretriz norte-americana de 2026 considera valores a partir de 125 nmol/L, ou 50 mg/dL quando o exame é expresso nessa unidade, um fator que aumenta o risco de doença cardiovascular aterosclerótica.
O conteúdo do Tua Saúde sobre lipoproteína(a) explica quando o exame é indicado e como interpretar níveis elevados. Como as unidades e os métodos laboratoriais podem variar, o resultado deve ser analisado pelo médico, sem tentar converter valores por conta própria.

Se a Lp(a) estiver alta, o que pode ser feito?
Como dieta e exercício costumam ter pouco efeito direto sobre a concentração da Lp(a), a estratégia atual é reduzir os outros fatores de risco que podem ser modificados. Isso pode envolver manter o LDL dentro da meta adequada para o risco individual, controlar pressão e glicose, não fumar, praticar atividade física e manter uma alimentação favorável à saúde cardiovascular.
- não interromper ou modificar medicamentos para colesterol por conta própria;
- conversar com o médico sobre a meta de LDL mais adequada;
- manter pressão arterial e diabetes controlados, quando presentes;
- informar histórico familiar de infarto, AVC ou Lp(a) elevada;
- avaliar, quando indicado, se familiares próximos também devem realizar o exame.
Ter Lp(a) alta não transforma o resultado em uma previsão do futuro. O exame acrescenta uma informação que pode ajudar a personalizar a prevenção cardiovascular, inclusive em pessoas cujo colesterol tradicional já parece bem controlado.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação médica profissional.









