Quando a glicose começa a subir, é comum pensar apenas na quantidade de açúcar consumida. Mas o controle da glicemia depende de vários fatores. O acúmulo de gordura, principalmente na região abdominal, está associado à resistência à insulina, situação em que músculos, fígado e tecido adiposo passam a responder menos ao hormônio que ajuda a controlar a glicose. Alimentação, atividade física, genética, idade, sono, medicamentos e algumas doenças também participam desse processo.
O que é resistência à insulina de forma simples?
A insulina é produzida pelo pâncreas e funciona como um sinal que ajuda as células a utilizar a glicose que circula no sangue. Na resistência à insulina, esse sinal perde eficiência. Para compensar, o pâncreas inicialmente pode produzir quantidades maiores do hormônio e ainda conseguir manter a glicose próxima do normal.
Com o tempo, essa compensação pode não ser suficiente e a glicemia começa a subir, favorecendo pré-diabetes e diabetes tipo 2. O National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases explica que a resistência à insulina ocorre quando as células deixam de responder ao hormônio como deveriam e destaca excesso de peso, cintura aumentada e inatividade física entre os fatores associados.
Por que a gordura abdominal interfere na ação da insulina?
A gordura localizada na barriga não é toda igual. Parte dela é subcutânea, localizada sob a pele, enquanto a gordura visceral fica mais profundamente ao redor dos órgãos. O excesso de gordura visceral está particularmente associado a alterações metabólicas e à resistência à insulina.
Esse tecido é metabolicamente ativo e libera ácidos graxos e diferentes substâncias que podem interferir no funcionamento do fígado, dos músculos e do próprio tecido adiposo. Por isso, não é apenas o consumo direto de açúcar que determina como o organismo controla a glicose. A distribuição da gordura corporal também importa. Isso não significa, porém, que toda pessoa com barriga maior terá resistência à insulina ou que pessoas magras estejam protegidas.

Isso significa que o açúcar não importa?
Não. A ideia é evitar trocar uma explicação simplificada por outra. Bebidas açucaradas, doces e alimentos muito calóricos, quando consumidos com frequência e em excesso dentro da alimentação habitual, podem favorecer ganho de peso e pior controle metabólico. Mas a resistência à insulina e o diabetes tipo 2 são multifatoriais.
Entre os fatores que podem participar estão:
- predisposição genética e histórico familiar de diabetes;
- excesso de gordura corporal, especialmente abdominal;
- sedentarismo e baixa atividade muscular;
- alterações hormonais, como a síndrome dos ovários policísticos;
- uso de determinados medicamentos;
- idade e outras condições metabólicas.
O Tua Saúde explica com mais detalhes como acontece a resistência à insulina e quais fatores aumentam o risco.
Atividade física ajuda mesmo sem grande perda de peso?
Sim. Durante e depois do exercício, os músculos conseguem captar e utilizar glicose com mais eficiência, e a prática regular pode melhorar a resposta do organismo à insulina. Uma revisão sistemática e metanálise de ensaios clínicos encontrou melhora da utilização de glicose estimulada pela insulina após programas de exercícios.
Quando há excesso de peso, uma redução gradual também pode melhorar a sensibilidade à insulina e diminuir a gordura abdominal. Isso não significa que a pessoa seja culpada pela alteração da glicose ou que emagrecer seja simples. Peso e metabolismo são influenciados por diversos fatores, e as mudanças precisam ser realistas e individualizadas.

Quando a glicose alta precisa ser investigada?
A resistência à insulina pode permanecer sem sintomas durante bastante tempo. Por isso, alterações da glicemia geralmente são identificadas por exames, como glicemia de jejum e hemoglobina glicada. Pessoas com excesso de gordura abdominal, histórico familiar de diabetes, hipertensão ou outros fatores de risco podem precisar de acompanhamento mais próximo.
Se a glicose estiver alterada, o objetivo não deve ser simplesmente eliminar todo carboidrato ou tentar perder peso rapidamente. O médico e o nutricionista podem avaliar alimentação, atividade física, composição corporal, exames e outras condições para definir o cuidado adequado. Em algumas situações, medicamentos também são necessários.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico ou nutricional.









