Tomar omeprazol por meses ou anos não significa que necessariamente haverá problemas de saúde. O medicamento pode ser necessário por longos períodos em algumas doenças. O que a ciência mostra é que o uso prolongado dos inibidores da bomba de prótons tem sido associado a alterações como deficiência de vitamina B12, queda do magnésio e fraturas, mas muitas dessas relações vêm de estudos observacionais e não provam que o remédio seja a causa direta.
O uso prolongado de omeprazol é perigoso?
O omeprazol pertence aos inibidores da bomba de prótons, ou IBPs, medicamentos que reduzem intensamente a produção de ácido no estômago. Essa ação é útil no tratamento de refluxo, esofagite, úlceras e outras condições, e algumas pessoas realmente precisam manter o medicamento por bastante tempo.
Uma revisão publicada em 2024 sobre o uso prolongado de inibidores da bomba de prótons ressalta que muitas complicações atribuídas a esses medicamentos foram identificadas em estudos com limitações e não estabelecem uma relação direta de causa e efeito. Nos pacientes que possuem uma indicação adequada, os benefícios do tratamento geralmente superam os possíveis riscos.
O omeprazol pode diminuir vitamina B12 e magnésio?
A vitamina B12 depende, em parte, da acidez do estômago para ser liberada das proteínas presentes nos alimentos. Por isso, surgiu a preocupação de que diminuir essa acidez por períodos prolongados possa dificultar seu aproveitamento. Uma revisão sistemática com 25 estudos encontrou uma pequena associação entre uso de IBPs e deficiência de B12, mas também identificou diferenças importantes entre os trabalhos, insuficientes para afirmar claramente que o medicamento seja o responsável.
Para o magnésio, há relatos mais bem reconhecidos de hipomagnesemia, que é a concentração muito baixa do mineral no sangue, principalmente após tratamentos prolongados. O Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos informa que os IBPs podem causar hipomagnesemia durante o uso prolongado, geralmente por mais de um ano. O risco merece atenção especial em quem também usa medicamentos capazes de alterar o magnésio, como alguns diuréticos.

E a relação entre omeprazol e fraturas?
Estudos observacionais encontraram uma associação modesta entre o uso prolongado de IBPs e fraturas de quadril, coluna ou punho, especialmente em algumas pessoas que já possuem fatores de risco para osteoporose. Isso levou autoridades regulatórias a incluírem alertas nas informações de alguns medicamentos dessa classe.
Entretanto, associação não significa que o omeprazol enfraqueça diretamente os ossos de todas as pessoas que o utilizam. Idade, menopausa, tabagismo, baixo peso, uso de corticoides, sedentarismo e osteoporose também interferem no risco de fraturas e podem ser mais frequentes justamente entre pessoas que fazem uso contínuo de medicamentos.
Quem usa omeprazol precisa fazer exames com frequência?
Não existe recomendação para que toda pessoa saudável que toma omeprazol faça repetidamente exames de vitamina B12, magnésio ou densidade óssea apenas pelo uso do medicamento. A necessidade depende de idade, duração e dose do tratamento, alimentação, doenças prévias, sintomas e outros remédios utilizados.
O acompanhamento pode ser mais importante, por exemplo, quando existem:
- histórico de deficiência de vitamina B12 ou alimentação com pouca quantidade da vitamina;
- uso de diuréticos ou outros fatores que favoreçam magnésio baixo;
- osteopenia, osteoporose ou risco elevado de fraturas;
- tratamento por muitos anos sem reavaliação da indicação;
- sintomas como fraqueza persistente, formigamentos, câimbras ou alterações no hemograma.
O Tua Saúde explica as indicações, efeitos adversos e cuidados no uso do omeprazol. O objetivo do acompanhamento não é suspender automaticamente o medicamento, mas verificar se ele continua necessário e se a dose utilizada ainda é adequada.

Por que não se deve parar o omeprazol por conta própria?
Depois de um período prolongado de tratamento, a interrupção pode ser seguida por um aumento temporário da produção de ácido, fenômeno conhecido como hipersecreção ácida de rebote. Isso pode provocar azia, queimação ou desconforto e dar a impressão de que a doença piorou. A American Gastroenterological Association recomenda avisar os pacientes sobre esse possível efeito ao retirar um IBP de uso prolongado.
Por isso, não é indicado reduzir a dose ou parar o omeprazol apenas por medo dos possíveis efeitos de longo prazo. Algumas pessoas precisam manter o tratamento, enquanto outras podem ter a indicação revista pelo médico e passar por redução ou retirada planejada conforme o quadro.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico.









