Os pontinhos brancos que surgem nos braços e nas pernas com o passar dos anos, sobretudo depois dos 40, geralmente são hipomelanose gutata idiopática, as chamadas sardas brancas. Trata-se de uma alteração benigna, que não coça e está associada ao envelhecimento da pele, somado a anos de exposição ao sol. Ainda assim, o dermatologista deve avaliar as manchas para descartar micose, vitiligo e outras causas.
Como são as sardas brancas?
O nome técnico já explica o problema. Hipomelanose indica redução da melanina, o pigmento responsável pela cor da pele. Gutata significa em formato de gota, e idiopática quer dizer que a causa exata ainda não foi totalmente esclarecida.
As lesões são lisas, redondas, de tom branco porcelana e pequenas, com 2 a 5 milímetros. Costumam aparecer na frente das pernas e na parte de cima dos antebraços, regiões que ficam mais expostas ao sol no dia a dia. Elas não provocam coceira, dor nem descamação.

Qual estudo ligou as manchas ao sol e à idade?
Essas manchas são bem mais frequentes do que muita gente imagina. Segundo uma pesquisa publicada no International Journal of Dermatology em 2011, dermatologistas da Universidade Kyung Hee, na Coreia do Sul, avaliaram 1.174 pacientes atendidos em sequência em um ambulatório de dermatologia. Entre eles, 646 tinham as manchas.
Ou seja, mais da metade dos pacientes apresentava hipomelanose gutata, que se tornava mais comum a partir dos 40 anos. Os pesquisadores também encontraram relação com outros sinais de fotoenvelhecimento, como rugas e manchas escuras, o que reforça o peso do sol acumulado ao longo da vida.
O que faz essas manchas surgirem?
Com o envelhecimento e a radiação solar repetida, os melanócitos, células que fabricam a melanina, ficam em menor número e trabalham pior em alguns pontos da pele. Nesses locais, o pigmento deixa de ser produzido e surge a mancha mais clara.
Alguns fatores aumentam a probabilidade de aparecimento:
- Ter mais de 40 anos;
- Pele clara e hábito frequente de se bronzear;
- Exposição solar por muitos anos sem protetor;
- Parentes com o mesmo tipo de mancha;
- Atrito constante na pele, como esfoliações repetidas.
Como saber se não é outro tipo de mancha branca?
Algumas condições também clareiam a pele e precisam de tratamento próprio:
- Vitiligo: manchas maiores, que aumentam de tamanho e podem aparecer em áreas protegidas do sol, como mãos, rosto e região genital;
- Pano branco, micose que forma manchas com leve descamação, principalmente no tronco;
- Pitiríase alba, mais comum em crianças, com áreas claras no rosto;
- Marcas que ficam após inflamações, queimaduras ou machucados antigos.
Para comparar as características de cada caso, vale conhecer as principais causas de manchas brancas na pele.

Dá para tratar as sardas brancas?
Por ser uma alteração benigna, o tratamento tem finalidade apenas estética e não é obrigatório. O dermatologista pode recomendar cremes com tacrolimus ou retinoides, aplicação rápida de nitrogênio líquido, lasers fracionados ou microagulhamento. A resposta varia de pessoa para pessoa, nem todas as manchas voltam a ganhar cor e podem ser necessárias várias sessões.
Proteger a pele do sol é a melhor prevenção
No estudo coreano, as sardas brancas apareceram junto com outros sinais de dano solar, por isso a fotoproteção ajuda a evitar novas lesões. O protetor solar com FPS 30 ou mais deve ser passado também nos braços e nas pernas, áreas frequentemente esquecidas, e reaplicado a cada duas horas sob sol. Manchas que crescem, mudam de aparência ou surgem em regiões cobertas devem ser avaliadas pelo dermatologista.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta com um dermatologista. Se notar manchas novas ou que aumentam de tamanho, procure atendimento para confirmar o diagnóstico.









