A esofagite eosinofílica é uma inflamação crônica do esôfago causada por uma reação alérgica e imunológica, que provoca dificuldade para engolir, sensação de comida entalada e azia que não melhora com remédios comuns. Ela é mais frequente em homens e em pessoas com asma, rinite ou dermatite. Reconhecer a doença cedo é importante, porque sem tratamento, o esôfago pode estreitar com o passar dos anos.
O que é a esofagite eosinofílica?
Os eosinófilos são células de defesa que participam das reações alérgicas. Normalmente eles não aparecem no esôfago, o tubo que leva o alimento da boca ao estômago. Na esofagite eosinofílica, essas células se acumulam na parede do órgão em resposta a alimentos ou a substâncias do ambiente.
A inflamação constante deixa o esôfago rígido e, com o tempo, pode formar cicatrizes. A doença tem componente genético e costuma aparecer em pessoas da mesma família.
O que um estudo mostrou sobre o atraso no diagnóstico?
A demora para identificar a doença tem consequências medidas. Segundo uma pesquisa publicada na revista Gastroenterology em 2013, pesquisadores do banco de dados suíço da doença analisaram 200 pacientes com sintomas, a maioria homens, com idade média de 39 anos no diagnóstico. O tempo entre os primeiros sintomas e a confirmação da doença foi de seis anos em média.
Quanto maior a espera, mais o esôfago se estreitava. A frequência de estreitamento do esôfago subiu de 17% para 71% com a demora no diagnóstico, comparando atrasos de até dois anos com atrasos de mais de 20 anos. O atraso foi o único fator de risco identificado.

Quais são os sintomas em adultos e crianças?
Nos adultos, os sinais mais comuns são:
- Dificuldade para engolir, principalmente carnes e pães;
- Sensação de alimento parado no peito;
- Azia ou dor no peito que não melhora com remédios para refluxo;
- Hábito de comer devagar, cortar tudo em pedaços pequenos e beber muita água durante as refeições.
Nas crianças, a doença pode causar recusa alimentar, vômitos, dor abdominal e dificuldade para ganhar peso.
Quando a comida entalada vira emergência?
A impactação alimentar, quando o alimento fica preso e não desce nem volta, é muitas vezes a primeira manifestação que leva ao diagnóstico. Salivação intensa, incapacidade de engolir a própria saliva e dor no peito exigem atendimento imediato no pronto-socorro, onde o alimento é retirado por endoscopia.

Como é feito o diagnóstico e o tratamento?
A confirmação depende da endoscopia com biópsias de vários pontos do esôfago, que mostram o acúmulo de eosinófilos. O exame também permite avaliar se já existe estreitamento.
O tratamento é indicado pelo gastroenterologista e pode incluir:
- Remédios que reduzem o ácido do estômago, em doses ajustadas pelo médico;
- Corticoides deglutidos, que agem diretamente na parede do esôfago;
- Dieta de eliminação, retirando alimentos como leite, trigo, ovo, soja, frutos do mar e oleaginosas, com reintrodução gradual;
- Medicamentos biológicos nos casos que não respondem;
- Dilatação do esôfago quando já há estreitamento.
Para entender as opções de dieta e remédios, vale conhecer os sintomas e tratamentos da esofagite eosinofílica.
Reconhecer cedo protege o esôfago
Como mostrou o estudo suíço, cada ano de atraso aumenta o risco de estreitamento, o que torna as refeições mais difíceis e as crises de comida entalada mais frequentes. Quem tem dificuldade para engolir, já teve alimento preso ou convive com azia que não responde ao tratamento, deve procurar o gastroenterologista. A doença é crônica, mas o acompanhamento regular controla a inflamação e preserva o esôfago.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico. Não faça dietas de eliminação sem acompanhamento profissional.









