A Anvisa determinou a apreensão de produtos à base de berberina sem registro, notificação ou cadastro que vinham sendo vendidos como “Ozempic natural”. A decisão, publicada em 11 de setembro de 2026, também proíbe fabricar, importar, distribuir, divulgar, comercializar e utilizar esses produtos irregulares. A medida não significa que toda pesquisa sobre berberina seja inválida, mas reforça que ela não pode ser apresentada como equivalente a medicamentos aprovados para emagrecimento.
O que exatamente a Anvisa proibiu?
A medida consta da Resolução 3.457/2026. Segundo a Anvisa, foram apreendidos todos os lotes de produtos à base de berberina sem registro, notificação ou cadastro na Agência e vendidos como “Ozempic Natural”. Esses itens não podem ser fabricados, importados, distribuídos, divulgados, comercializados nem utilizados.
É importante fazer essa distinção: a resolução se refere aos produtos irregulares abrangidos pela medida, e não a uma proibição geral de qualquer pesquisa envolvendo berberina. A regularização sanitária permite avaliar aspectos como composição, qualidade e enquadramento do produto antes da comercialização.
Por que chamar berberina de “Ozempic natural” é enganoso?
A berberina é um composto encontrado em plantas do gênero Berberis e vem sendo estudada por possíveis efeitos sobre glicose, colesterol e peso corporal. Isso, porém, não faz dela uma versão natural do Ozempic. O Ozempic contém semaglutida, um medicamento agonista do receptor de GLP-1 com mecanismo, doses, estudos clínicos e indicações definidos.
O próprio conteúdo do Tua Saúde sobre berberina e seus possíveis efeitos sobre o peso destaca que os resultados encontrados nas pesquisas são pequenos e inconsistentes e que a substância não deve ser considerada uma alternativa aos medicamentos prescritos para tratar a obesidade.

A berberina realmente ajuda a emagrecer?
A evidência disponível não permite tratar a berberina como um medicamento de emagrecimento com eficácia estabelecida. Uma meta-análise publicada em 2026, que reuniu 23 estudos clínicos, encontrou uma redução média de aproximadamente 0,9 kg no peso corporal e pequenas quedas no índice de massa corporal e na circunferência da cintura. Os próprios autores, porém, apontaram problemas metodológicos e a necessidade de estudos com melhor randomização, cegamento e padronização dos produtos.
Além disso, resultados de estudos individuais não são sempre favoráveis. Em um ensaio clínico randomizado publicado em 2026 com 337 adultos com obesidade e doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica, seis meses de berberina não produziram redução de peso superior à observada com placebo. Também não houve benefício significativo sobre gordura visceral ou gordura no fígado.
Por que resultados promissores ainda não bastam?
Um efeito estatisticamente detectável em uma pesquisa não significa automaticamente uma perda de peso relevante para todas as pessoas. Os estudos com berberina utilizam diferentes doses, formulações, períodos de tratamento e populações, o que dificulta determinar com segurança quanto ela funciona, para quem poderia funcionar e quais seriam os resultados no longo prazo.
Por isso, é mais preciso dizer que a berberina tem resultados preliminares e inconsistentes para emagrecimento, e não que esteja comprovada como tratamento contra a obesidade. Também não há base científica para colocá-la no mesmo nível de medicamentos como a semaglutida apenas porque ambos são associados ao controle de peso nas redes sociais.

Produto “natural” significa que pode ser usado sem cuidados?
Não. A berberina pode provocar efeitos adversos, principalmente gastrointestinais, e também pode interagir com medicamentos. Pessoas que usam remédios para diabetes, pressão arterial, colesterol ou outras condições precisam de atenção adicional, já que combinações podem alterar o efeito do tratamento.
Também não é adequado substituir um medicamento prescrito por um produto vendido como “natural” sem orientação profissional. No caso específico dos itens alcançados pela resolução de setembro de 2026, a determinação da Anvisa é que eles não sejam utilizados enquanto estiverem sem a regularização sanitária exigida.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica ou nutricional. Suplementos e medicamentos para emagrecimento devem ser utilizados com orientação profissional.









