Esquecimento, confusão, dificuldade de concentração e mudanças de comportamento em uma pessoa idosa nem sempre significam demência. A deficiência de vitamina B12 pode afetar o cérebro e o sistema nervoso e provocar alterações cognitivas que lembram um quadro demencial. Por ser uma causa tratável, a falta dessa vitamina merece investigação, especialmente quando existem outros fatores de risco ou sintomas neurológicos.
Como a falta de vitamina B12 pode afetar a memória?
A vitamina B12 participa da formação das células sanguíneas e é necessária para o desenvolvimento, a mielinização e o funcionamento adequado do sistema nervoso. Quando a deficiência se mantém, podem surgir manifestações neurológicas e cognitivas mesmo sem anemia.
Segundo o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido sobre deficiência de vitamina B12, entre os possíveis sinais estão problemas de memória, compreensão e julgamento, além de confusão, alterações de equilíbrio, fraqueza e formigamentos. Por isso, em alguns idosos, o quadro pode inicialmente ser confundido com outras causas de declínio cognitivo.
Quais sinais podem aparecer além do esquecimento?
A presença de sintomas neurológicos ou de anemia junto das alterações de memória pode aumentar a suspeita, embora nenhum deles confirme a deficiência isoladamente. Entre as manifestações possíveis estão:
- cansaço e fraqueza persistentes;
- formigamento ou dormência nas mãos e nos pés;
- dificuldade de equilíbrio ou para caminhar;
- confusão ou dificuldade de concentração;
- palidez e falta de ar quando existe anemia;
- língua dolorida ou avermelhada;
- mudanças de humor.
A página sobre sintomas da falta de vitamina B12 também explica que perda de memória e confusão mental podem acompanhar outras manifestações da deficiência.

Por que os idosos têm maior risco de deficiência?
O problema nem sempre está na quantidade de vitamina B12 ingerida. Com o envelhecimento, algumas pessoas desenvolvem gastrite atrófica e passam a produzir menos ácido no estômago ou menos fator intrínseco, substância necessária para a absorção adequada da vitamina. Cirurgias digestivas e doenças que prejudicam a absorção também aumentam o risco.
O Office of Dietary Supplements dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos inclui os adultos mais velhos entre os grupos mais suscetíveis à deficiência. Outros fatores que merecem atenção são:
- anemia perniciosa;
- gastrite atrófica;
- doença celíaca ou doença de Crohn;
- cirurgia bariátrica ou outras cirurgias do sistema digestivo;
- alimentação com quantidade insuficiente de vitamina B12;
- uso prolongado de alguns medicamentos.
Metformina e omeprazol podem diminuir a vitamina B12?
Podem aumentar o risco em algumas pessoas. A metformina, muito utilizada no tratamento do diabetes, pode diminuir a absorção da vitamina B12 e reduzir seus níveis no sangue. Inibidores da bomba de prótons, como o omeprazol, reduzem a acidez do estômago e podem dificultar a liberação da B12 presente nos alimentos quando usados por períodos prolongados.
Isso não significa que quem usa esses medicamentos desenvolverá deficiência nem que eles devam ser interrompidos. Metformina e omeprazol não devem ser suspensos por conta própria. Em pessoas com fatores de risco ou sintomas compatíveis, o profissional de saúde pode decidir quando é necessário avaliar os níveis da vitamina.

Os sintomas melhoram quando a vitamina B12 é reposta?
A investigação geralmente inclui a dosagem de vitamina B12 no sangue. Quando o resultado fica em uma faixa duvidosa, exames como o ácido metilmalônico podem ajudar a confirmar a deficiência. Identificada a causa, a reposição pode ser feita por via oral ou injetável, dependendo da situação. Muitos sintomas podem melhorar após o tratamento, inclusive manifestações neurológicas, mas alterações presentes por muito tempo podem não desaparecer completamente.
Também é importante diferenciar tratar uma deficiência de usar vitamina B12 para qualquer problema de memória. Estudos não mostram que suplementar B12 melhore a cognição de idosos com demência ou comprometimento cognitivo quando não existe deficiência. Por isso, alterações recentes ou progressivas de memória devem ser investigadas, em vez de serem atribuídas automaticamente à idade ou tratadas apenas com suplementos.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação ou orientação de um profissional de saúde.









