A barrinha de proteína pode ser um lanche prático em dias corridos, mas não é automaticamente saudável. Muitas versões têm açúcar adicionado, gordura saturada e adoçantes que causam gases, e a quantidade de proteína varia bastante entre as marcas. Por ser um alimento ultraprocessado, ela funciona melhor como opção eventual do que como substituta de refeições com comida de verdade.
Quanto uma barrinha de proteína oferece?
Uma barrinha comum, de 40 a 60 gramas, costuma fornecer entre 150 e 250 calorias e de 10 a 20 gramas de proteína, geralmente vinda do soro do leite, do colágeno ou da soja. Algumas recebem fibras adicionadas para aumentar a saciedade.
O problema é que o nome do produto nem sempre corresponde ao conteúdo. Há barrinhas vendidas como proteicas com menos proteína do que dois ovos e com quantidade de açúcar parecida com a de um chocolate.

O que um estudo mostrou sobre ultraprocessados e apetite?
O impacto de alimentos como as barrinhas industrializadas foi testado em um ensaio controlado. Segundo uma pesquisa publicada na revista Cell Metabolism em 2019, cientistas dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos internaram 20 adultos por quatro semanas. Durante duas semanas, eles receberam dieta ultraprocessada e, nas outras duas, comida minimamente processada, com nutrientes equivalentes, podendo comer à vontade.
Com a dieta ultraprocessada, os participantes consumiram cerca de 500 calorias a mais por dia e ganharam 0,9 kg, enquanto perderam o mesmo peso com a comida natural. Curiosamente, o excesso veio de carboidratos e gorduras, e não da proteína, que se manteve igual nas duas fases.
Como escolher uma barrinha melhor?
A leitura do rótulo faz toda a diferença:
- Procurar ao menos 10 gramas de proteína por unidade;
- Evitar produtos com selo de lupa para açúcar adicionado ou gordura saturada;
- Verificar se o primeiro ingrediente da lista é uma fonte de proteína, e não açúcar ou xarope;
- Preferir listas de ingredientes curtas, com castanhas, aveia ou frutas secas;
- Observar a presença de maltitol e outros polióis, que podem causar gases e diarreia.
Quem pode se beneficiar das barrinhas?
Elas podem ser úteis para quem treina e não consegue fazer uma refeição logo depois, para viagens ou para idosos com pouco apetite que precisam aumentar a proteína. Ainda assim, alimentos simples costumam oferecer mais nutrientes por um preço menor.
Iogurte natural, ovos cozidos, queijo branco, castanhas e leite são opções práticas para lanches. Para montar o cardápio com variedade, vale conhecer os alimentos ricos em proteínas de origem animal e vegetal.

Quais cuidados ter com o consumo?
Comer barrinhas várias vezes ao dia pode aumentar as calorias sem que a pessoa perceba, já que elas saciam pouco pelo volume. Pessoas com doença renal precisam de orientação antes de aumentar o consumo de proteína. Quem tem diabetes deve observar o total de carboidratos, e quem tem intestino sensível deve evitar versões com muitos adoçantes do tipo poliol.
Lanche de apoio, não base da dieta
No estudo americano, a proteína não foi o que levou ao excesso de calorias, mas sim o pacote de carboidratos e gorduras típico dos ultraprocessados. Por isso, uma barrinha bem escolhida pode quebrar o galho de vez em quando, desde que a maior parte da proteína do dia venha de refeições com comida de verdade. Para a maioria dos adultos, carnes, ovos, laticínios e feijões já cobrem a necessidade diária sem suplementos.
Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um nutricionista. Pessoas com doença renal, diabetes ou objetivos esportivos específicos devem planejar o consumo de proteína com acompanhamento profissional.









