O diabetes pode permanecer por bastante tempo sem causar sintomas claros, o que ajuda a explicar por que tantas pessoas convivem com a doença sem saber. Dados atuais da Federação Internacional de Diabetes estimam que quase 1 em cada 9 adultos entre 20 e 79 anos tenha diabetes no mundo, e mais de 40% deles ainda não receberam o diagnóstico. Exames simples, como a glicemia de jejum, ajudam a identificar alterações mais cedo.
Quantos adultos vivem com diabetes atualmente?
A 11ª edição do Atlas de Diabetes da Federação Internacional de Diabetes, divulgada em 2025 com estimativas referentes a 2024, calcula que 589 milhões de adultos entre 20 e 79 anos vivam com diabetes. Isso representa 11,1% dessa população mundial, proporção próxima de uma pessoa em cada nove.
O número de pessoas sem diagnóstico também é expressivo. Aproximadamente 252 milhões, ou 42,8% dos adultos com diabetes, desconhecem que têm a doença. Isso é relevante porque a glicose elevada ao longo do tempo pode afetar vasos sanguíneos, rins, olhos, nervos e coração antes mesmo de aparecerem sinais evidentes.
Por que o diabetes pode passar despercebido?
Especialmente no diabetes tipo 2, o aumento da glicose pode acontecer de forma gradual. Algumas pessoas apresentam muita sede, aumento da vontade de urinar, cansaço, visão turva ou perda de peso sem explicação, mas outras não percebem nenhuma mudança importante nos primeiros anos.
Por isso, esperar o aparecimento de sintomas não é uma estratégia adequada para decidir quando investigar. A Sociedade Brasileira de Diabetes recomenda rastreamento para todas as pessoas a partir dos 35 anos, mesmo sem sintomas, além da investigação mais precoce de adultos que apresentam determinados fatores de risco.

O que a glicemia de jejum mostra no check-up?
A glicemia de jejum mede a quantidade de glicose no sangue depois de um período de 8 a 12 horas sem ingestão de calorias. A diretriz brasileira recomenda a glicemia de jejum e a hemoglobina glicada como exames iniciais para o rastreamento, conforme disponibilidade e avaliação médica.
De forma geral, os valores de glicemia de jejum em adultos não grávidos são interpretados assim:
- abaixo de 100 mg/dL: valor dentro da faixa considerada normal;
- de 100 a 125 mg/dL: glicemia de jejum alterada, compatível com pré-diabetes;
- 126 mg/dL ou mais: valor que pode indicar diabetes e que, na ausência de sintomas típicos, precisa ser confirmado conforme os critérios diagnósticos.
O conteúdo do Tua Saúde sobre glicemia de jejum e seus valores de referência explica também como o exame é feito e quais cuidados são necessários antes da coleta.
Quem pode precisar investigar antes dos 35 anos?
A idade não é o único critério. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, adultos com sobrepeso ou obesidade devem ser avaliados mais cedo quando apresentam pelo menos um fator adicional de risco. Entre eles estão:
- pai, mãe ou irmão com diabetes tipo 2;
- pressão alta;
- sedentarismo;
- HDL baixo ou triglicerídeos elevados;
- síndrome dos ovários policísticos;
- acantose nigricans;
- histórico de doença cardiovascular;
- diabetes gestacional anterior;
- pré-diabetes identificado anteriormente.
Pessoas classificadas com risco alto em ferramentas específicas de rastreamento também podem precisar de investigação antes dessa idade. A frequência de repetição dos exames depende do resultado inicial e do conjunto de fatores de risco.

Glicemia de jejum normal exclui diabetes?
Não em todas as situações. A glicemia de jejum representa o nível de açúcar no sangue naquele momento, enquanto a hemoglobina glicada reflete a glicemia média dos últimos meses. Por isso, os exames podem fornecer informações complementares. Em pessoas de maior risco, outros testes, como o teste oral de tolerância à glicose, também podem ser indicados quando a investigação inicial não esclarece completamente o quadro.
O rastreamento no momento adequado pode identificar tanto diabetes ainda sem sintomas quanto alterações anteriores ao diagnóstico. O resultado deve sempre ser interpretado em conjunto com idade, histórico de saúde e outros fatores individuais.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um médico ou de outro profissional de saúde.









