Cirrose não é sinônimo de consumo excessivo de álcool. Ela representa um estágio avançado de cicatrização do fígado que pode surgir depois de anos de agressão por diferentes doenças. Hepatites B e C, gordura no fígado, doenças autoimunes e alterações genéticas que provocam acúmulo de ferro estão entre as possíveis causas. Descobrir a origem é importante porque o tratamento muda de acordo com o problema que provocou a lesão.
Como alguém que não bebe pode desenvolver cirrose?
O fígado consegue se recuperar de muitas agressões, mas uma lesão persistente pode estimular a formação progressiva de tecido cicatricial, chamado fibrose. Quando essa fibrose se torna extensa e modifica a estrutura e o funcionamento do órgão, caracteriza-se a cirrose.
O National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases explica que a cirrose possui diversas causas. Além da doença hepática associada ao álcool, estão entre as mais comuns a doença hepática gordurosa e as infecções crônicas pelos vírus das hepatites B e C. Em algumas pessoas, mais de um fator pode contribuir ao mesmo tempo.
Gordura no fígado também pode causar cirrose?
Sim. A doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, conhecida pela sigla MASLD, envolve acúmulo de gordura no fígado e está frequentemente relacionada a obesidade, diabetes tipo 2 e outras alterações metabólicas. Nem toda pessoa com gordura no fígado desenvolverá cirrose.
Em parte dos casos, porém, surgem inflamação e lesão das células hepáticas, o que pode levar à fibrose progressiva durante os anos. Quanto mais avançada a fibrose, maior a preocupação com a evolução para cirrose. O Tua Saúde explica também como a gordura no fígado pode ser identificada e tratada.

Quais outras doenças podem provocar cirrose?
Várias condições podem produzir lesão hepática crônica mesmo em uma pessoa que não consome bebidas alcoólicas. Entre elas estão:
- hepatite B e hepatite C: infecções crônicas que podem manter o fígado inflamado durante anos e levar à fibrose;
- hepatite autoimune: ocorre quando o sistema imunológico ataca as células do próprio fígado;
- colangite biliar primária: doença autoimune que danifica progressivamente pequenos ductos que transportam a bile;
- colangite esclerosante primária: provoca inflamação e cicatrização das vias biliares;
- hemocromatose: alteração que pode provocar acúmulo excessivo de ferro em órgãos como o fígado;
- doença de Wilson: condição genética relacionada ao acúmulo de cobre no organismo;
- deficiência de alfa-1 antitripsina: doença hereditária que pode provocar alterações hepáticas.
A Associação Americana para o Estudo das Doenças do Fígado descreve a cirrose entre as possíveis complicações da sobrecarga de ferro causada pela hemocromatose.
É possível descobrir a causa depois que a cirrose aparece?
Na maioria das vezes, a investigação continua sendo importante mesmo quando a cirrose já foi diagnosticada. O médico pode avaliar histórico de saúde, medicamentos, consumo de álcool e fatores metabólicos e solicitar exames para hepatites virais, alterações do ferro, doenças autoimunes e condições hereditárias, além de exames de sangue e imagem.
O conteúdo do Tua Saúde sobre cirrose hepática e suas diferentes causas também destaca que o tratamento depende do problema responsável pela lesão. Controlar a causa pode impedir ou retardar novas agressões ao fígado, mesmo quando as cicatrizes já são avançadas.

Por que não se deve associar cirrose automaticamente ao álcool?
Além de estar incorreta, essa associação pode criar estigma e esconder outras doenças que precisam de diagnóstico e tratamento específicos. Uma pessoa com cirrose pode nunca ter consumido álcool em excesso e apresentar, por exemplo, hepatite viral, doença metabólica, autoimune ou hereditária.
Quem recebe o diagnóstico deve ser acompanhado por gastroenterologista ou hepatologista para identificar a causa, avaliar o funcionamento do fígado e acompanhar possíveis complicações. O tratamento pode variar bastante conforme a doença responsável pela cirrose.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou acompanhamento médico.








