Ouvir um apito, chiado ou zunido que continua mesmo quando tudo está silencioso pode ser desconfortável, especialmente quando o som começa a atrapalhar o sono ou a concentração. O zumbido no ouvido nem sempre indica uma doença grave, mas pode estar associado à perda auditiva, à exposição frequente a ruídos intensos ou a alterações que precisam de tratamento. Quando o sintoma persiste, aparece apenas de um lado ou vem acompanhado de dificuldade para ouvir, realizar um teste de audição pode ajudar a identificar a causa e orientar os próximos cuidados.
Por que o ouvido pode apresentar zumbido constante?
O zumbido, também chamado de tinnitus ou acúfeno, é a percepção de um som que não possui uma fonte externa correspondente. Ele pode se manifestar como apito, chiado, estalo ou barulho semelhante ao de uma cigarra, variando de intensidade e podendo atingir um ou ambos os ouvidos.
Segundo o Instituto Nacional de Surdez e Outros Distúrbios da Comunicação dos Estados Unidos (NIDCD), a maioria das pessoas que apresenta zumbido possui algum grau de perda auditiva, embora nem sempre perceba essa dificuldade no dia a dia.
Isso acontece porque alterações nas estruturas responsáveis pela audição podem modificar a maneira como os sinais sonoros são transmitidos e processados pelo cérebro. Entretanto, o zumbido também pode estar relacionado ao acúmulo de cera, infecções, problemas na articulação da mandíbula e efeitos de determinados medicamentos.

Quando vale fazer um teste de audição?
O exame de audição, chamado de audiometria, pode ser importante quando o zumbido não desaparece ou começa a interferir nas atividades habituais. Ele permite avaliar a capacidade de perceber sons de diferentes frequências e intensidades, inclusive quando a pessoa acredita estar ouvindo normalmente.
Alguns sinais que justificam procurar avaliação incluem:
- Zumbido persistente: quando o som continua por dias ou semanas, sem melhora evidente;
- Dificuldade para entender conversas: principalmente em ambientes com várias pessoas falando;
- Necessidade de aumentar o volume: da televisão, do celular ou de outros aparelhos;
- Zumbido em apenas um ouvido: especialmente quando surge recentemente ou permanece constante;
- Sensação de ouvido tampado: acompanhada de alterações na audição;
- Incômodo durante o sono: quando o barulho dificulta descansar ou manter a concentração.
O otorrinolaringologista pode avaliar o canal auditivo, o tímpano e o histórico de exposição a ruídos, além de solicitar exames complementares quando necessário. Conheça também as principais causas de zumbido no ouvido e os cuidados indicados para cada situação.
Som alto pode provocar zumbido mesmo sem perda auditiva aparente?
Sim. A exposição a sons muito intensos pode afetar as células sensoriais do ouvido interno, responsáveis por transformar vibrações sonoras em sinais nervosos. Essas alterações podem provocar zumbido temporário ou persistente, mesmo antes de a pessoa notar dificuldade para ouvir.
Shows, ferramentas barulhentas, máquinas industriais e o uso frequente de fones em volume elevado estão entre as situações que podem aumentar o risco de danos auditivos. A intensidade do som e o tempo de exposição influenciam esse risco.
Por isso, reduzir o volume dos fones, fazer pausas durante a exposição ao barulho e utilizar protetores auditivos adequados em ambientes muito ruidosos são medidas importantes. Essas atitudes ajudam a proteger a audição, mas não garantem que um zumbido já existente desapareça.
Quais características do zumbido exigem mais atenção?
Embora a maioria dos casos não esteja relacionada a doenças graves, algumas características precisam de investigação mais rápida. Uma delas é o zumbido pulsátil, percebido como um som que acompanha o ritmo dos batimentos cardíacos.
Esse tipo de manifestação pode estar associado a alterações do fluxo sanguíneo e merece avaliação médica, mesmo quando não provoca dor. Dependendo dos sintomas e do exame clínico, podem ser necessários exames de imagem para investigar sua origem.
Quando o zumbido aparece junto com perda súbita da audição, é necessário procurar atendimento médico urgente, preferencialmente no mesmo dia. A perda auditiva repentina pode exigir tratamento rápido para aumentar as chances de recuperação.
Fraqueza facial, alterações neurológicas súbitas ou vertigem intensa acompanhada de outros sinais preocupantes também justificam atendimento imediato.

O que fazer quando o exame mostra alteração na audição?
O tratamento depende da causa identificada. Quando existe acúmulo de cera, infecção ou outra condição tratável, corrigir o problema pode aliviar o zumbido. Entretanto, em algumas pessoas, o som permanece mesmo após a investigação e exige estratégias específicas para reduzir o desconforto.
Entre as possibilidades estão aparelhos auditivos para quem apresenta perda de audição, terapias sonoras e acompanhamento psicológico especializado, como a terapia cognitivo-comportamental, que pode ajudar a diminuir o impacto do zumbido sobre o sono e a qualidade de vida.
Não existe um medicamento único capaz de eliminar todos os tipos de zumbido. Também não é recomendado interromper remédios por conta própria, mesmo quando existe suspeita de que estejam contribuindo para o sintoma.
O mais importante é não considerar o zumbido persistente como algo que precisa ser simplesmente suportado. Avaliar a audição pode revelar alterações ainda pouco perceptíveis e permitir cuidados individualizados, ajudando a proteger a capacidade auditiva e reduzir o impacto do problema na rotina.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento orientado por um médico.









