Uma panturrilha volumosa em uma criança pode parecer sinal de músculos fortes, mas nem sempre é assim. Na distrofia muscular de Duchenne, as panturrilhas podem aumentar de tamanho mesmo enquanto os músculos estão perdendo força. Esse fenômeno é chamado de pseudo-hipertrofia e acontece porque parte do tecido muscular lesionado passa a ser substituída por gordura e tecido fibroso. O achado sozinho não confirma a doença, mas merece atenção quando aparece junto a dificuldades motoras.
Por que a panturrilha fica grande se o músculo está mais fraco?
A distrofia muscular de Duchenne é uma doença genética relacionada à falta de distrofina, uma proteína importante para proteger as fibras musculares durante as contrações. Sem quantidade adequada dessa proteína, as fibras sofrem lesões repetidas e, ao longo do tempo, parte do músculo funcional é perdida.
Na panturrilha, esse processo pode produzir um efeito aparentemente contraditório. A Muscular Dystrophy Association explica a pseudo-hipertrofia das panturrilhas como um aumento provocado pelo acúmulo de gordura e outros tecidos, apesar de o músculo ser mais fraco. Portanto, o volume aumentado não significa necessariamente maior massa muscular funcional.
Quais outros sinais podem aparecer junto com a panturrilha aumentada?
A alteração nas pernas ganha mais importância quando vem acompanhada de dificuldades que não seriam esperadas para a idade. Os primeiros sinais costumam surgir na primeira infância e podem ser discretos no início. Entre os achados que merecem avaliação estão:
- quedas frequentes ou aparência de criança muito “desajeitada”;
- dificuldade para correr, pular ou acompanhar outras crianças;
- dificuldade para subir escadas;
- andar na ponta dos pés ou com a marcha balançando;
- atraso para atingir alguns marcos motores;
- necessidade de apoiar as mãos nas próprias pernas para conseguir levantar do chão.
Esse último movimento é conhecido como sinal de Gowers e ocorre porque a fraqueza dos músculos dos quadris e das coxas dificulta levantar o corpo. O conteúdo do Tua Saúde sobre distrofia muscular de Duchenne e seus principais sintomas também inclui aumento das panturrilhas, quedas frequentes e dificuldade para correr ou subir escadas entre as manifestações possíveis.

Panturrilha grossa significa que a criança tem Duchenne?
Não. Uma panturrilha maior ou aparentemente endurecida, isoladamente, não permite diagnosticar distrofia muscular de Duchenne. O tamanho das pernas varia naturalmente entre crianças e outras condições também podem provocar aumento muscular ou alterações na consistência dos tecidos. Por isso, é o conjunto formado pelo desenvolvimento da criança, padrão de fraqueza, exame físico e exames complementares que orienta a investigação.
Na Duchenne, o comprometimento costuma ser progressivo e afetar primeiro músculos próximos ao tronco, especialmente nas pernas e no quadril. A doença ocorre principalmente em meninos porque está relacionada a alterações no gene DMD, localizado no cromossomo X, embora mulheres portadoras também possam apresentar manifestações em algumas situações.

Como os médicos investigam essa alteração?
Quando há suspeita de uma doença muscular, o pediatra ou neurologista pediátrico pode avaliar o desenvolvimento motor, a força e a maneira como a criança anda, corre e se levanta. Um dos primeiros exames solicitados costuma ser a dosagem de creatinoquinase, ou CK, uma enzima que pode ficar muito elevada quando há lesão muscular.
A orientação da Muscular Dystrophy Association sobre o diagnóstico de Duchenne destaca que a história clínica, o exame físico, a CK e os testes genéticos fazem parte da investigação. Reconhecer cedo uma combinação de panturrilhas aumentadas, fraqueza e dificuldades motoras permite encaminhar a criança para avaliação especializada e, caso o diagnóstico seja confirmado, iniciar o acompanhamento adequado para preservar a função muscular e monitorar possíveis complicações.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Alterações persistentes na força, no desenvolvimento motor ou na maneira de caminhar de uma criança devem ser avaliadas pelo pediatra.








