Trocar os lençóis regularmente é importante para manter a higiene da cama, mas a frequência da troca não é o único fator que influencia a presença de ácaros. Esses pequenos organismos podem se acumular em colchões, travesseiros e roupas de cama, especialmente em ambientes úmidos. Para pessoas com alergias respiratórias, a temperatura da lavagem, a secagem completa e a proteção do colchão podem fazer diferença na exposição aos alérgenos, mesmo quando os lençóis são trocados toda semana.
Por que os ácaros se acumulam na roupa de cama?
Os ácaros domésticos são organismos microscópicos que se alimentam principalmente de partículas de pele humana. Eles encontram condições favoráveis em ambientes com umidade, temperatura adequada e materiais capazes de acumular poeira, como colchões, travesseiros, cobertores e estofados.
O problema não está apenas na presença dos ácaros vivos. Partículas provenientes de seus resíduos e corpos também contêm substâncias capazes de desencadear reações alérgicas em pessoas sensíveis. Esses materiais podem permanecer nos tecidos mesmo depois que os organismos morrem.
Segundo a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), lavar a roupa de cama semanalmente em água quente, secá-la completamente e utilizar capas protetoras em colchões e travesseiros são medidas que ajudam a reduzir a exposição a ácaros e outros alérgenos domésticos.

Qual é a melhor forma de lavar os lençóis?
A lavagem regular ajuda a retirar partículas de pele, suor, poeira e substâncias alergênicas acumuladas nos tecidos. Entretanto, quando o objetivo também é eliminar ácaros vivos, a temperatura da água merece atenção.
Para pessoas com alergia a ácaros, algumas recomendações incluem:
- Água quente: temperaturas próximas ou superiores a 55 °C ajudam a eliminar ácaros, quando o tecido permite esse tipo de lavagem;
- Lavagem semanal: lavar lençóis, fronhas e outras peças utilizadas diretamente na cama pelo menos uma vez por semana;
- Secagem completa: evitar guardar ou colocar na cama tecidos que ainda estejam úmidos;
- Produtos adequados: utilizar detergente ou sabão próprio para o tecido, respeitando as orientações da etiqueta;
- Cuidados com cobertores: incluir mantas e outras peças que acumulam poeira na rotina de limpeza.
Nem todos os tecidos suportam temperaturas elevadas. Nesses casos, a lavagem com detergente e a secagem adequada ainda podem remover parte dos alérgenos, embora não garantam a eliminação dos ácaros vivos. É importante verificar as instruções do fabricante para evitar danos às peças.
Trocar os lençóis toda semana é suficiente?
A troca semanal é uma medida útil, mas não garante que o ambiente fique livre de ácaros. Isso acontece porque grande parte desses organismos pode permanecer em materiais que não são lavados com a mesma frequência, principalmente colchões, travesseiros, tapetes e móveis estofados.
Uma pessoa pode utilizar lençóis limpos e continuar exposta aos alérgenos presentes no travesseiro ou no colchão. Por esse motivo, o cuidado precisa considerar o conjunto do ambiente, especialmente quando existem sintomas respiratórios frequentes.
Também não é necessário tentar eliminar completamente todos os ácaros da casa, algo difícil de alcançar. O objetivo é reduzir a exposição aos alérgenos, principalmente entre pessoas que já apresentam sensibilidade comprovada.
O que mais ajuda a diminuir os ácaros no quarto?
Além da lavagem, controlar a umidade e evitar o acúmulo de poeira são medidas importantes. Ambientes excessivamente úmidos favorecem a sobrevivência e a multiplicação desses organismos.
Alguns cuidados que podem complementar a limpeza incluem:
- Utilizar capas antiácaros apropriadas para colchões e travesseiros, preferencialmente com fechamento completo;
- Manter a umidade relativa do ambiente, quando possível, entre 30% e 50%;
- Limpar móveis e superfícies com pano úmido para evitar levantar poeira;
- Aspirar tapetes e estofados regularmente, preferencialmente com equipamento equipado com filtro HEPA;
- Reduzir objetos de tecido que acumulam poeira, como bichos de pelúcia e cortinas pesadas;
- Evitar guardar roupas de cama ainda úmidas.
Pessoas com alergias importantes podem apresentar sintomas durante a limpeza, pois a movimentação da poeira espalha partículas pelo ar. Nesses casos, pode ser melhor que outra pessoa realize a tarefa, quando possível.

Quando os sintomas podem indicar alergia a ácaros?
Espirros frequentes ao acordar, nariz entupido, coriza, coceira no nariz e nos olhos podem estar relacionados à exposição a ácaros, principalmente quando os sintomas pioram no quarto ou durante a noite. Entretanto, outras causas também podem provocar manifestações semelhantes.
Em pessoas com asma, a exposição aos alérgenos pode contribuir para tosse noturna, chiado no peito e dificuldade para respirar. Conhecer os sintomas de rinite alérgica pode ajudar a reconhecer quando vale procurar uma avaliação profissional.
Espirros persistentes, congestão nasal recorrente, tosse noturna ou chiado no peito justificam investigação médica, especialmente quando prejudicam o sono. Falta de ar intensa ou dificuldade importante para respirar exigem atendimento imediato.
Portanto, a melhor estratégia não é apenas trocar os lençóis com mais frequência, mas combinar lavagem adequada, secagem completa e cuidados com o ambiente. Essas medidas podem diminuir a exposição a alérgenos, embora não substituam o tratamento indicado para rinite, asma ou outras doenças respiratórias.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento orientado por um médico.









