Cólica menstrual muito forte, dor durante a relação sexual e dificuldade para engravidar estão entre os sinais que podem levantar a suspeita de endometriose. A dor que impede estudar, trabalhar, dormir ou realizar atividades habituais não deve ser simplesmente normalizada como parte da menstruação. A doença pode levar anos para ser reconhecida, mas hoje a investigação pode começar pelos sintomas e exames de imagem, enquanto o tratamento é escolhido conforme a dor, a localização das lesões e os planos de gravidez.
O que causa a endometriose?
A endometriose acontece quando um tecido semelhante ao endométrio, que reveste internamente o útero, está presente fora da cavidade uterina. As lesões aparecem principalmente na região pélvica, podendo atingir ovários, trompas, peritônio, intestino e bexiga. Esse tecido está associado a inflamação e pode contribuir para dor, aderências e alterações que interferem na fertilidade.
A causa exata ainda não foi esclarecida. Entre as hipóteses estudadas estão a menstruação retrógrada, alterações imunológicas e fatores genéticos. A Organização Mundial da Saúde destaca que as origens da endometriose ainda não são completamente conhecidas. O conteúdo do Tua Saúde sobre endometriose, sintomas, possíveis causas e tratamento também explica por que nenhuma dessas hipóteses, isoladamente, explica todos os casos.
Quais sinais fazem suspeitar de endometriose?
A intensidade dos sintomas varia muito. Algumas pessoas apresentam dor importante, enquanto outras descobrem a doença durante uma investigação de infertilidade. Entre os sinais que merecem avaliação estão:
- cólica menstrual intensa que interfere na rotina;
- dor pélvica recorrente, inclusive fora da menstruação;
- dor profunda durante ou depois da relação sexual;
- dor para evacuar ou urinar, especialmente durante o período menstrual;
- dificuldade para engravidar;
- sangramento menstrual intenso em algumas pessoas.
Esses sintomas também podem ocorrer em outras condições, portanto não confirmam endometriose sozinhos. O NICE recomenda considerar endometriose quando a dor menstrual compromete as atividades diárias e a qualidade de vida, assim como diante de dor pélvica crônica, dor profunda na relação sexual e alguns sintomas intestinais ou urinários relacionados ao ciclo.

Por que o diagnóstico de endometriose ainda pode demorar anos?
Um dos motivos é justamente a normalização da dor menstrual. Muitas pacientes convivem durante anos com cólicas incapacitantes antes que os sintomas sejam investigados como possível doença. Além disso, a endometriose apresenta manifestações variadas e pode ser confundida inicialmente com outras causas de dor pélvica ou desconforto gastrointestinal.
Uma revisão publicada em 2025 sobre o atraso no diagnóstico da endometriose encontrou média de 6,8 anos nos estudos analisados, embora os tempos variassem bastante entre países. A investigação pode envolver avaliação clínica, exame ginecológico e ultrassonografia transvaginal, além de ressonância magnética em situações específicas. Um exame de imagem normal não exclui necessariamente a doença, e a videolaparoscopia é reservada para situações selecionadas, não sendo obrigatória para todas as pacientes.

Como a endometriose pode ser tratada?
Não existe um único tratamento adequado para todos os casos. A escolha considera intensidade da dor, localização e extensão das lesões, tratamentos anteriores e desejo de engravidar. Entre as possibilidades estão:
- analgésicos e anti-inflamatórios para controle da dor, quando indicados;
- anticoncepcionais hormonais combinados ou medicamentos à base de progestagênio;
- outros tratamentos hormonais que reduzem a atividade ovariana em casos selecionados;
- cirurgia laparoscópica para remover lesões e aderências quando houver indicação;
- tratamentos de reprodução assistida quando a fertilidade estiver comprometida.
A OMS ressalta que medicamentos hormonais podem reduzir a intensidade ou frequência da dor, enquanto a cirurgia pode ser utilizada para remover lesões e aderências em determinadas situações. Como alguns tratamentos hormonais impedem temporariamente a gravidez, o desejo de engravidar precisa entrar na decisão. Procurar avaliação quando a cólica passa a limitar a vida cotidiana pode encurtar o caminho até o diagnóstico e permitir um tratamento individualizado.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Dor menstrual incapacitante, dor pélvica persistente ou dificuldade para engravidar devem ser avaliadas por um ginecologista.









