Quem tem diverticulite nem sempre precisa eliminar sementes, castanhas ou pipoca da alimentação. Durante muitos anos, esses alimentos foram evitados pelo receio de que pequenos pedaços ficassem presos nas bolsas formadas na parede do intestino e provocassem inflamação. Entretanto, pesquisas mais recentes não sustentam essa restrição para a maioria das pessoas com doença diverticular. A orientação muda quando existe uma crise ativa, situação em que a alimentação pode precisar de adaptações temporárias e acompanhamento médico.
Por que sementes e castanhas eram proibidas?
A diverticulose acontece quando pequenas bolsas, chamadas divertículos, se formam na parede do intestino grosso. Muitas pessoas convivem com essa condição sem apresentar sintomas. Já a diverticulite ocorre quando um ou mais desses divertículos ficam inflamados, podendo provocar dor abdominal, febre e alterações intestinais.
Antigamente, acreditava-se que sementes de tomate, pequenas partículas de castanhas e cascas de milho poderiam entrar nos divertículos, ficar retidas e desencadear uma crise. Por esse motivo, era comum recomendar a exclusão desses alimentos, mesmo para pessoas sem sintomas.
Segundo o Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais dos Estados Unidos (NIDDK), pesquisas mais recentes indicam que castanhas, sementes e pipoca não são prejudiciais para a maioria das pessoas com diverticulose ou doença diverticular. Assim, a proibição generalizada deixou de ser considerada necessária.

O que pode comer quando não está em crise?
Fora dos episódios de inflamação aguda, uma alimentação rica em fibras pode ser recomendada para favorecer o funcionamento intestinal. As fibras ajudam a aumentar o volume das fezes e contribuem para um trânsito intestinal mais regular, especialmente quando acompanhadas de ingestão adequada de líquidos.
Entre os alimentos que podem fazer parte da rotina estão:
- Frutas: maçã, pera, mamão e outras variedades, incluindo cascas e sementes quando bem toleradas;
- Verduras e legumes: cenoura, abobrinha, brócolis e folhas verdes;
- Leguminosas: feijão, lentilha, ervilha e grão-de-bico;
- Cereais integrais: aveia, arroz integral e pão integral;
- Sementes e castanhas: chia, linhaça, amêndoas e nozes, conforme a tolerância individual.
O aumento das fibras deve acontecer gradualmente, pois uma mudança brusca pode provocar gases, distensão abdominal e desconforto. A quantidade ideal depende dos hábitos alimentares, dos sintomas e das necessidades de cada pessoa.
Durante uma crise de diverticulite, a alimentação muda?
Sim. Quando existe uma crise de diverticulite, o intestino está inflamado e pode ser necessário modificar temporariamente a consistência e a quantidade de fibras da alimentação. Em determinadas situações, o médico pode recomendar uma dieta líquida por um curto período ou alimentos com baixo teor de fibras, de acordo com a gravidade do quadro.
Isso não significa que sementes e castanhas tenham causado a inflamação. A restrição temporária pode fazer parte dos cuidados para lidar com os sintomas enquanto o paciente se recupera.
Conforme ocorre a melhora, os alimentos sólidos e as fibras podem ser reintroduzidos progressivamente, seguindo orientação profissional. Entenda melhor como funciona a dieta para diverticulite e quais adaptações podem ser indicadas durante e após uma crise.
Quais hábitos podem ajudar a reduzir o risco de novas crises?
A alimentação é apenas um dos fatores envolvidos na saúde intestinal. Manter hábitos saudáveis também pode contribuir para diminuir o risco de desenvolver diverticulite, embora nenhuma medida garanta que novas crises não aconteçam.
Alguns cuidados importantes incluem:
- Consumir fibras regularmente, conforme a tolerância e a orientação médica;
- Beber água ao longo do dia, respeitando possíveis restrições individuais;
- Praticar atividade física regularmente;
- Evitar o consumo excessivo de carnes vermelhas;
- Não fumar e buscar manter um peso saudável;
- Evitar eliminar grupos alimentares inteiros sem necessidade.
Essas medidas podem favorecer o funcionamento intestinal e a saúde geral, mas não substituem o acompanhamento de quem já apresentou episódios de diverticulite.

Quando a dor abdominal exige avaliação médica?
A diverticulite pode provocar dor persistente, geralmente na parte inferior esquerda do abdômen, além de febre, náuseas, alterações do hábito intestinal e perda de apetite. Como esses sintomas também aparecem em outras doenças, não é possível confirmar o diagnóstico apenas pela alimentação ou pela localização da dor.
Dor abdominal forte ou progressiva, febre, vômitos persistentes, barriga muito distendida ou dificuldade para eliminar fezes e gases exigem avaliação médica urgente. Esses sinais podem indicar uma inflamação mais importante ou complicações, como obstrução ou perfuração intestinal.
Portanto, a principal diferença está no momento da doença. Fora das crises, sementes e castanhas geralmente não precisam ser proibidas. Durante a inflamação aguda, a alimentação deve ser adaptada conforme a avaliação médica, evitando restrições desnecessárias e tentativas de tratar sintomas importantes apenas com mudanças na dieta.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento orientado por um médico.









