Quando um coração é retirado para transplante, começa uma corrida contra o tempo. No Brasil, o tempo de isquemia normalmente aceito para esse órgão é de cerca de 4 horas, período que inclui retirada, transporte e implantação no receptor. A razão está na própria necessidade do músculo cardíaco de receber continuamente sangue e oxigênio, mesmo que técnicas de preservação consigam desacelerar temporariamente os danos.
O que acontece com o coração depois que ele é retirado?
Ao ser separado da circulação do doador, o coração deixa de receber sangue, oxigênio e nutrientes. Esse período é chamado de isquemia. Para reduzir os danos enquanto o órgão está fora do corpo, são utilizadas soluções específicas de preservação e baixas temperaturas, que diminuem sua atividade metabólica.
O resfriamento ajuda, mas não interrompe completamente os processos celulares. Uma revisão sobre preservação do coração doado explica que o armazenamento estático a frio continua sendo uma técnica amplamente utilizada e que períodos prolongados de isquemia podem aumentar o risco de disfunção do órgão após o transplante.
Por que se fala tanto no limite de 4 horas?
O Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde considera 4 horas como o tempo de isquemia aceitável para o coração. Isso é bem menos do que ocorre com outros órgãos: para o fígado, por exemplo, o período indicado é de 12 horas, enquanto para os rins pode chegar a 48 horas.
Quanto mais tempo o coração permanece sem circulação normal, maior é a preocupação com alterações nas células do músculo cardíaco e com as lesões que podem ocorrer quando o fluxo sanguíneo é restabelecido. Por isso, o objetivo das equipes não é simplesmente chegar perto do limite, mas reduzir ao máximo cada etapa entre a retirada e o implante.

Como é possível transportar um coração dentro desse prazo?
A operação começa antes mesmo de o órgão deixar o hospital do doador. A equipe que fará o transplante precisa estar coordenada com quem realiza a captação, com a central responsável pela distribuição e com o serviço onde o receptor está sendo preparado. Entre as etapas que precisam funcionar de forma sincronizada estão:
- confirmação da compatibilidade e das condições do órgão;
- retirada e acondicionamento adequado do coração;
- definição antecipada da rota de transporte;
- deslocamento rápido da equipe e do órgão até o hospital;
- preparação do receptor e da sala cirúrgica para o implante.
O Ministério da Saúde mantém acordos para o transporte de órgãos, tecidos e equipes pela aviação comercial. Dependendo da distância e da situação, a logística também pode envolver outros meios de transporte. É por isso que operações de transplante podem mobilizar aviões, veículos e diferentes equipes quase simultaneamente.

O coração começa a bater novamente depois do transplante?
Sim. Durante a cirurgia, o coração doente é retirado e o órgão doado é conectado aos vasos sanguíneos do receptor. Quando a circulação é restabelecida, o novo coração pode retomar sua atividade, embora a equipe acompanhe cuidadosamente seu funcionamento. O conteúdo do Tua Saúde sobre como é realizado o transplante de coração explica as principais etapas da operação e os cuidados necessários depois do procedimento.
Novas estratégias de preservação, incluindo sistemas capazes de manter o órgão perfundido durante parte do transporte, vêm sendo estudadas para ampliar as possibilidades de utilização de corações doados. Mesmo com esses avanços, o tempo continua sendo um dos fatores centrais na organização de um transplante cardíaco.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação ou as orientações de uma equipe médica especializada.









