Duas pessoas podem beber quantidades parecidas de água e ter alimentações semelhantes, mas apenas uma desenvolver cálculos renais repetidamente. Isso acontece porque a formação das pedras depende de uma combinação de concentração da urina, genética, alimentação e alterações metabólicas que modificam a quantidade de substâncias capazes de formar cristais. Quem já teve cálculo ou possui familiares com o problema pode ter uma predisposição maior e precisar de medidas preventivas individualizadas.
Por que forma pedra nos rins?
Os cálculos aparecem quando determinadas substâncias presentes normalmente na urina, como cálcio, oxalato ou ácido úrico, ficam concentradas a ponto de formar cristais. Esses cristais podem crescer e se juntar até originar uma pedra. Ao mesmo tempo, a urina contém substâncias protetoras, como o citrato, que ajudam a dificultar esse processo.
A Sociedade Brasileira de Urologia de São Paulo explica que pouco volume de urina ou excesso de sais favorecem a cristalização. A entidade também destaca que algumas pessoas apresentam alterações herdadas ou adquiridas, como pouco citrato ou excesso de cálcio na urina, que aumentam a facilidade para formar pedras.
Genética realmente aumenta o risco?
Sim. Ter familiares com histórico de cálculo renal está associado a maior predisposição. Algumas alterações metabólicas podem ocorrer em várias pessoas da mesma família, como a hipercalciúria, situação em que uma quantidade elevada de cálcio é eliminada pela urina. Existem ainda doenças genéticas menos comuns, como a cistinúria, que favorecem cálculos recorrentes.
O NIDDK inclui o histórico familiar entre os fatores que aumentam a chance de desenvolver cálculos renais. Isso não significa que filhos de pessoas que tiveram pedra necessariamente terão o problema, mas ajuda a explicar por que algumas pessoas formam cálculos mesmo sem um único hábito claramente responsável.

Qual é o papel da água e da alimentação?
Beber pouco líquido reduz o volume de urina e deixa minerais e outras substâncias mais concentrados. Por isso, a hidratação é uma das medidas mais importantes para reduzir o risco. A Sociedade Brasileira de Urologia também relaciona a formação de cálculos, em pessoas predispostas, ao excesso de sal e proteína animal associado à baixa ingestão de água.
Alguns fatores alimentares que podem contribuir são:
- excesso de sódio: pode aumentar a eliminação de cálcio pela urina;
- grande consumo de proteína animal: pode favorecer determinados tipos de cálculo em pessoas predispostas;
- baixa ingestão de líquidos: torna a urina mais concentrada;
- restrições inadequadas de cálcio: não são recomendadas para todos e podem até ser contraproducentes em alguns tipos de cálculo;
- excesso de determinados alimentos ricos em oxalato: pode ser relevante para algumas pessoas que formam pedras de oxalato de cálcio.
Por isso, não existe uma dieta única para todas as pedras. O tipo de cálculo e as alterações encontradas nos exames ajudam a definir quais mudanças realmente fazem sentido.
Que alterações do organismo podem favorecer novas pedras?
Algumas pessoas eliminam quantidades elevadas de cálcio, oxalato ou ácido úrico na urina, enquanto outras apresentam pouco citrato, que normalmente dificulta a formação de cristais. Hiperparatireoidismo, gota, doenças intestinais, obesidade, determinadas alterações renais e algumas infecções urinárias também podem aumentar o risco.
O Tua Saúde detalha que predisposição genética, baixa ingestão de líquidos e alterações metabólicas estão entre as possíveis causas de pedra nos rins. Em quem apresenta episódios repetidos, investigar esses fatores é especialmente importante para não limitar a prevenção apenas à recomendação de “beber mais água”.

Quem tem cálculos repetidos precisa fazer investigação específica?
Pode ser necessário. O médico pode solicitar exames de sangue e urina e, em determinados casos, coleta de urina durante 24 horas para medir substâncias relacionadas à formação dos cálculos. Quando uma pedra é eliminada ou retirada, analisar sua composição também ajuda a direcionar a prevenção.
Quem já teve cálculos recorrentes, possui histórico familiar importante ou apresenta pedras em idade jovem deve conversar com urologista ou nefrologista sobre essa investigação. Dor intensa, febre, vômitos persistentes ou dificuldade para urinar exigem avaliação mais rápida, pois podem indicar obstrução ou outra complicação.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento realizados por um profissional de saúde.









