Os acidentes com serpentes não acontecem com a mesma frequência durante todo o ano. No Brasil, os meses quentes e chuvosos concentram mais casos, período em que esses animais ficam mais ativos e podem circular com maior frequência perto de áreas rurais e residências. Se ocorrer uma picada, uma das principais atitudes que nunca devem ser tomadas é fazer torniquete ou garrote, porque isso pode agravar as lesões provocadas pelo veneno.
Por que as picadas aumentam nos meses de chuva?
O Ministério da Saúde informa que os acidentes ofídicos são mais frequentes nos meses quentes e chuvosos. Esse período coincide com maior atividade das serpentes, especialmente em áreas rurais, onde também aumenta a circulação de pessoas em atividades agrícolas.
A chuva pode ainda modificar os locais de abrigo desses animais. Enchentes, alagamentos e solo encharcado podem fazer algumas serpentes procurarem áreas mais secas e protegidas. O Instituto Butantan alerta que, nessas situações, elas podem aparecer mais próximas de casas e construções ao buscar refúgio.
Por que o torniquete nunca deve ser feito após uma picada?
Amarrar fortemente o braço ou a perna acima da picada pode parecer uma forma de impedir o veneno de se espalhar, mas acontece o contrário do que se espera. O torniquete prejudica a circulação e pode concentrar a ação da peçonha nos tecidos próximos ao ferimento.
Segundo as orientações do Ministério da Saúde para acidentes com serpentes, essa prática pode intensificar danos locais, como necrose, e aumentar o risco de sequelas. O cuidado é especialmente relevante nos acidentes por jararacas, responsáveis pela maior parte das ocorrências no país.

Cortar ou sugar o local da picada ajuda a retirar o veneno?
Não. Fazer um corte sobre as marcas da picada ou tentar sugar o veneno com a boca são práticas antigas que não conseguem retirar de forma eficaz a peçonha inoculada. Além de atrasarem o atendimento correto, podem provocar sangramento, novas lesões e contaminação da ferida.
O Instituto Butantan orienta não fazer cortes, não sugar o local e não realizar torniquetes. Também devem ser evitadas substâncias caseiras, como terra, folhas, pó de café, álcool ou outros produtos sobre a ferida.
O que fazer imediatamente depois de uma picada de cobra?
O mais importante é afastar a vítima da serpente sem tentar capturar o animal e procurar atendimento médico o mais rápido possível. O Tua Saúde reúne as principais orientações de primeiros socorros após uma picada de cobra.
Enquanto o atendimento é providenciado, as medidas recomendadas incluem:
- manter a pessoa calma e em repouso;
- retirar anéis, pulseiras, calçados ou objetos que possam apertar caso ocorra inchaço;
- lavar o local delicadamente com água e sabão;
- não cortar, apertar ou manipular a ferida;
- não fazer torniquete ou garrote;
- não tentar sugar o veneno;
- fotografar a serpente a uma distância segura, se isso puder ser feito sem risco;
- levar a vítima rapidamente a um serviço de saúde.
O soro antiofídico, quando indicado, deve ser administrado em ambiente de saúde. Não é necessário capturar ou matar a serpente para receber tratamento, e tentar fazê-lo pode provocar uma segunda picada.

Como reduzir o risco de acidentes durante o período chuvoso?
Botas ou calçados fechados são especialmente importantes ao caminhar em mato, áreas alagadas ou locais com folhas e entulho. Também é recomendado usar luvas grossas ao mexer em lenha, pedras, lixo ou materiais acumulados, além de nunca colocar as mãos diretamente em buracos ou locais onde não seja possível enxergar.
Em casa, retirar entulho, controlar roedores, manter o mato baixo e fechar frestas ajuda a diminuir locais de abrigo e fontes de alimento para serpentes. Se uma cobra aparecer, o mais seguro é manter distância e acionar profissionais capacitados para fazer a remoção.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação ou atendimento médico. Toda picada de cobra deve ser avaliada rapidamente em um serviço de saúde.









