A espinha interna é uma lesão de acne que se forma nas camadas profundas da pele, sem ponta branca, e costuma ser dolorida e demorar a desaparecer. O mais importante é não espremer, porque isso aumenta a inflamação e o risco de cicatriz. Compressas mornas e produtos para acne ajudam em casos isolados, mas lesões frequentes pedem tratamento com dermatologista.
O que é a espinha interna?
A espinha interna surge quando o poro entupido por sebo e células mortas inflama abaixo da superfície da pele. Em vez de formar uma cabeça visível, a inflamação cria um caroço vermelho, endurecido e sensível ao toque, que pode durar de alguns dias a várias semanas.
Quando essas lesões são numerosas e recorrentes, o quadro é chamado de acne nódulo-cística, a forma mais intensa da acne. Ela aparece com frequência no queixo, na mandíbula, nas costas e no peito, e é a que mais deixa marcas.

O que a ciência mostra sobre o tratamento da acne mais profunda?
A isotretinoína oral é o medicamento mais usado nos casos graves de acne. Segundo uma revisão publicada na Cochrane Database of Systematic Reviews em 2018, pesquisadores reuniram 31 ensaios clínicos com 3.836 pacientes de 12 a 55 anos. A maioria tinha acne moderada ou grave e foi acompanhada em ambulatórios de dermatologia.
Em um dos estudos incluídos, com 150 pessoas com acne grave, a dose mais alta levou à redução de 95% das lesões inflamatórias em 90% dos pacientes após 20 semanas. Os autores consideram o remédio um tratamento bem estabelecido para a acne grave. Eles também reforçam que a isotretinoína é proibida na gravidez porque causa malformações no bebê.
Por que algumas espinhas ficam internas?
Vários fatores favorecem a inflamação profunda:
- Alterações hormonais, como as do ciclo menstrual e a síndrome dos ovários policísticos;
- Predisposição genética, quando pais ou irmãos tiveram acne intensa;
- Pele muito oleosa e uso de cosméticos que obstruem os poros;
- Hábito de espremer espinhas superficiais, que empurra a inflamação para dentro;
- Alguns medicamentos, como corticoides e anabolizantes.
A espinha interna pode aparecer em qualquer idade, inclusive na vida adulta e na menopausa. Para casos isolados, vale conhecer os cuidados para tratar a espinha interna no dia a dia.
O que fazer quando aparece uma espinha interna?
Algumas medidas aliviam a dor e ajudam a lesão a regredir mais rápido:
- Aplicar compressa morna por 10 a 15 minutos, duas a três vezes ao dia;
- Usar gel com peróxido de benzoíla ou ácido salicílico sobre a região;
- Lavar o rosto duas vezes ao dia com sabonete para pele oleosa;
- Evitar espremer, furar ou cutucar a lesão;
- Não aplicar pasta de dente, limão ou álcool, que irritam a pele.

Quais tratamentos o dermatologista pode indicar?
Para uma lesão muito dolorida, o médico pode aplicar uma pequena injeção de corticoide no consultório, que reduz o caroço em poucos dias. Nos quadros recorrentes, entram antibióticos por via oral, retinoides tópicos e, nas mulheres com acne hormonal, anticoncepcionais ou espironolactona.
A isotretinoína fica reservada para a acne grave ou que não melhora com outros tratamentos. O uso exige exames de sangue periódicos e, nas mulheres, contracepção eficaz durante todo o tratamento.
Quando procurar o dermatologista
A consulta é indicada quando as espinhas internas aparecem com frequência, causam muita dor, deixam manchas ou formam cicatrizes. Tratar cedo reduz o risco de marcas permanentes, que são mais difíceis de corrigir depois. No estudo da Cochrane, os tratamentos com isotretinoína duraram de 12 a 32 semanas, o que mostra que o controle da acne profunda exige paciência e acompanhamento.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um dermatologista. Não use medicamentos para acne por conta própria, principalmente se houver possibilidade de gravidez.









