Excesso de peso, pouco movimento, exercícios intensos sem preparo e uso frequente de salto alto podem aumentar a sobrecarga sobre os joelhos. Isso não significa que esses hábitos, isoladamente, provoquem artrose. O desgaste da articulação é resultado de vários fatores, como idade, genética, lesões anteriores e características do próprio corpo, mas algumas escolhas do cotidiano podem contribuir para aumentar o risco ou agravar sintomas.
Quais hábitos podem aumentar a sobrecarga no joelho?
Uma revisão sistemática sobre fatores de risco para artrose do joelho, publicada em 2025, reforçou que excesso de peso e obesidade estão entre os fatores modificáveis relacionados ao desenvolvimento da doença. Lesões anteriores no joelho também aparecem como um dos fatores mais bem estabelecidos.
No cotidiano, alguns comportamentos merecem atenção principalmente quando se acumulam ao longo dos anos:
- manter excesso de peso: aumenta a carga que o joelho precisa suportar ao caminhar, subir escadas ou levantar-se;
- passar muito tempo sem se movimentar: pode favorecer perda de força muscular e pior controle da articulação;
- começar atividades de impacto de forma brusca: aumenta a chance de sobrecarga e lesões quando o corpo ainda não está preparado;
- usar salto alto por períodos prolongados: modifica a mecânica da caminhada e as forças que atuam sobre o joelho.
Por que o excesso de peso faz tanta diferença?
O joelho sustenta parte importante do peso corporal e recebe cargas ainda maiores durante movimentos como subir degraus ou correr. Por isso, carregar peso corporal acima do adequado pode aumentar repetidamente a pressão sobre a articulação. Além do efeito mecânico, a obesidade está associada a alterações metabólicas e inflamatórias que também participam da osteoartrite.
Isso não quer dizer que toda pessoa com sobrepeso desenvolverá artrose no joelho. O risco depende da combinação com idade, histórico de lesões, força muscular, alinhamento da articulação e outros fatores. Quando existe excesso de peso, uma redução gradual orientada por profissionais pode diminuir a carga suportada pelos joelhos.

Ficar parado também prejudica a articulação?
Evitar qualquer atividade por medo de “gastar” a cartilagem não costuma proteger o joelho. A musculatura das coxas e quadris ajuda a estabilizar a articulação e absorver parte das forças produzidas ao caminhar. Uma metanálise com mais de 46 mil participantes encontrou associação entre fraqueza dos músculos extensores do joelho e maior chance de desenvolver osteoartrite.
Por outro lado, exercício não deve ser confundido com desgaste inevitável. Caminhada, bicicleta, musculação e outras atividades adaptadas à condição física podem fortalecer a região. Até mesmo a corrida recreativa não demonstrou aumentar necessariamente a ocorrência de artrose em estudos disponíveis. O problema é mais relacionado a excesso de carga, lesões e progressão inadequada do treinamento.
Atividades de impacto precisam ser evitadas?
Não por todas as pessoas. Saltos, corridas e esportes podem fazer parte de uma rotina saudável quando existe preparo adequado. Começar com intensidade muito alta, aumentar carga ou volume rapidamente ou insistir em exercícios apesar de dor pode favorecer lesões, e uma lesão importante prévia no joelho é um fator reconhecido de risco para artrose no futuro.
Fortalecimento muscular, aprendizado da técnica e aumento gradual do esforço ajudam o corpo a se adaptar. Quem já apresenta dor, inchaço, instabilidade ou histórico de lesão deve receber orientação antes de iniciar atividades de maior impacto.

Salto alto pode causar desgaste no joelho?
Não é possível afirmar que usar salto alto, sozinho, cause artrose. No entanto, uma revisão sistemática com metanálise sobre salto alto e biomecânica do joelho mostrou que saltos mais altos aumentam determinados momentos de força e modificam a flexão da articulação durante a caminhada. Quanto maior e mais prolongada a exposição, maior pode ser a sobrecarga em algumas pessoas.
Alternar os calçados, evitar permanecer muitas horas seguidas com saltos muito altos e priorizar modelos confortáveis pode reduzir essa exposição. Dor persistente, inchaço, rigidez ou dificuldade para movimentar o joelho merecem avaliação, independentemente do tipo de calçado utilizado.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. Dor ou limitação persistente no joelho deve ser investigada por um profissional de saúde para identificar a causa e orientar atividade física e tratamento adequados.









