Começar a espirrar várias vezes seguidas, sentir coceira no nariz e perceber uma coriza transparente durante a primavera pode ser sinal de rinite alérgica. Nessa época, a presença de pólen no ar e o contato com outros alérgenos podem desencadear uma reação inflamatória no nariz, provocando congestão e desconforto. Embora os sintomas sejam frequentemente confundidos com resfriado, observar quando aparecem e o que parece desencadeá-los ajuda a identificar uma possível alergia e escolher os cuidados adequados.
Por que a rinite pode piorar durante a primavera?
A rinite alérgica acontece quando o sistema imunológico reage de maneira exagerada a substâncias normalmente inofensivas, como pólen, ácaros, mofo e partículas provenientes de animais. Essa reação provoca a liberação de substâncias como a histamina, que contribuem para a inflamação do revestimento interno do nariz.
Durante a primavera, algumas árvores, gramíneas e outras plantas liberam pólen no ambiente. Essas partículas podem ser transportadas pelo vento e entrar em contato com as vias respiratórias, provocando sintomas em pessoas sensibilizadas. Entretanto, a quantidade de pólen varia conforme a região, a vegetação e as condições climáticas.
Segundo o National Health Service (NHS), em suas orientações sobre rinite alérgica, espirros, coceira, coriza e nariz entupido estão entre os principais sintomas da condição. A instituição também destaca que identificar e reduzir a exposição aos alérgenos pode ajudar a controlar as crises.

Como diferenciar rinite alérgica de um resfriado?
A rinite alérgica e o resfriado podem provocar nariz escorrendo e obstrução nasal, mas existem algumas diferenças que ajudam a reconhecer o padrão dos sintomas. Na alergia, as manifestações costumam aparecer após o contato com um gatilho e podem voltar repetidamente enquanto a exposição continuar.
Entre os sinais que sugerem rinite alérgica estão:
- Espirros repetidos, principalmente ao entrar em determinados ambientes;
- Coceira intensa no nariz, nos olhos ou no céu da boca;
- Coriza geralmente transparente e aquosa;
- Nariz entupido sem febre;
- Olhos lacrimejando, avermelhados ou com coceira;
- Sintomas que se repetem em determinadas épocas do ano;
- Piora após contato com poeira, pólen, mofo ou animais.
Já o resfriado é causado por vírus e pode provocar dor de garganta, mal-estar e, algumas vezes, febre. Seus sintomas geralmente melhoram em alguns dias, enquanto a rinite alérgica pode persistir ou reaparecer por semanas.
Entretanto, essas características não são suficientes para confirmar o diagnóstico. Conhecer os sintomas da rinite alérgica ajuda a reconhecer manifestações comuns, mas quadros persistentes podem precisar de avaliação médica.
O que fazer para aliviar espirros e nariz entupido?
Quando os sintomas são leves, algumas medidas podem reduzir o contato com substâncias irritantes e melhorar o conforto respiratório. A lavagem nasal com solução salina é uma das opções utilizadas para ajudar a remover secreções e partículas presentes nas cavidades nasais.
Alguns cuidados que podem ajudar durante a primavera são:
- Realizar lavagem nasal com solução salina, utilizando produtos e técnicas adequados;
- Manter os ambientes limpos, preferindo pano úmido em vez de levantar poeira;
- Evitar exposição prolongada a locais com muito pólen quando esse for um gatilho conhecido;
- Trocar de roupa e lavar o rosto ou os cabelos após atividades externas, quando necessário;
- Manter roupas de cama limpas e reduzir o acúmulo de poeira no quarto;
- Evitar fumaça de cigarro, perfumes intensos e outros irritantes que pioram os sintomas.
Para preparar soluções de lavagem nasal em casa, a água precisa ser destilada, esterilizada ou previamente fervida e resfriada. Não se deve utilizar água diretamente da torneira para irrigar o nariz.
Esses cuidados podem aliviar o desconforto, mas nem sempre são suficientes para controlar uma rinite persistente. O tratamento pode incluir medicamentos antialérgicos e sprays nasais específicos, de acordo com a avaliação profissional.
Por que não usar descongestionante nasal por muitos dias?
Os sprays descongestionantes que contraem os vasos sanguíneos do nariz podem proporcionar alívio rápido da obstrução. Entretanto, quando utilizados por vários dias consecutivos, alguns desses produtos podem provocar um efeito de rebote, fazendo o nariz ficar ainda mais entupido quando o medicamento perde o efeito.
O NHS orienta que descongestionantes nasais desse tipo não sejam usados por mais de cinco dias, respeitando também as instruções específicas da embalagem e do profissional de saúde. O uso prolongado pode dificultar a melhora dos sintomas.
É importante diferenciar esses medicamentos dos sprays nasais com corticoides, que possuem outra forma de ação e podem ser indicados para controlar a inflamação alérgica. A escolha depende da intensidade dos sintomas, da idade e das condições de saúde de cada pessoa.

Quando a alergia na primavera precisa de avaliação médica?
Crises ocasionais que melhoram com medidas simples nem sempre exigem investigação extensa. Entretanto, espirros frequentes, nariz entupido por períodos prolongados ou sintomas que prejudicam o sono e as atividades diárias merecem avaliação médica, principalmente quando não melhoram com os cuidados habituais.
A presença de chiado no peito, tosse persistente ou falta de ar também precisa de atenção, pois a rinite alérgica pode coexistir com asma. Se houver dificuldade respiratória intensa, incapacidade de falar frases completas ou coloração azulada dos lábios, é necessário procurar atendimento de emergência.
Em casos recorrentes, o médico pode investigar os possíveis alérgenos envolvidos e indicar tratamento para controlar a inflamação. Algumas pessoas podem se beneficiar de testes de alergia ou de imunoterapia, dependendo da gravidade e dos gatilhos identificados.
Observar em quais ambientes e épocas os sintomas aparecem é uma maneira útil de compreender o problema. Com medidas para reduzir a exposição e tratamento adequado quando necessário, é possível diminuir o desconforto da rinite e evitar que os espirros e a congestão nasal comprometam a rotina durante a primavera.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento orientado por um médico.









