Uma crise de enxaqueca pode surgir em um dia aparentemente comum, mas algumas mudanças na rotina podem funcionar como gatilho em pessoas predispostas. Jejum prolongado, sono irregular, luz intensa e, para algumas pessoas, alimentos ou bebidas específicos estão entre os fatores associados às crises. Isso não significa que todos precisem evitar queijo ou vinho, pois os gatilhos variam bastante de uma pessoa para outra e nem sempre estão presentes.
Por que os gatilhos da enxaqueca são tão individuais?
A enxaqueca é uma doença neurológica em que fatores genéticos e ambientais participam do aparecimento das crises. Um mesmo estímulo pode desencadear dor em determinada pessoa e não provocar qualquer efeito em outra. Além disso, frequentemente existe uma combinação de fatores, como dormir mal e depois passar muitas horas sem comer.
A Sociedade Brasileira de Cefaleia orienta observar os acontecimentos nas horas anteriores à crise e verificar se existe repetição antes de considerar determinado hábito ou alimento como desencadeante. Essa avaliação evita restrições alimentares desnecessárias.
Quais são os 5 gatilhos que podem passar despercebidos?
Entre os fatores descritos pela Sociedade Brasileira de Cefaleia, alguns fazem parte da rotina e podem não ser associados imediatamente à dor:
- Jejum prolongado: pular refeições ou ficar muitas horas sem comer pode favorecer crises em algumas pessoas. Manter uma rotina alimentar mais regular pode ajudar a identificar essa relação.
- Sono irregular: dormir pouco, dormir mais do que o habitual ou mudar frequentemente o horário de dormir e acordar pode funcionar como gatilho.
- Queijos envelhecidos: queijos maturados aparecem entre os alimentos relatados como desencadeantes, mas não provocam enxaqueca em todas as pessoas.
- Vinho tinto: bebidas alcoólicas podem desencadear crises em indivíduos suscetíveis, e o vinho tinto é frequentemente citado entre elas.
- Luzes intensas: exposição ao sol forte, faróis, iluminação muito intensa e algumas situações de exposição prolongada a telas podem participar do início ou da piora de uma crise.

É preciso cortar queijo e vinho da alimentação?
Não de forma automática. Embora a Sociedade Brasileira de Cefaleia cite queijos maturados e vinho, principalmente o tinto, entre possíveis desencadeantes, a relação entre alimentos específicos e enxaqueca é individual. Retirar vários alimentos sem observar uma associação repetida pode tornar a alimentação desnecessariamente restritiva.
Uma estratégia mais útil é registrar horário da crise, refeições, bebidas, sono, período menstrual, exposição à luz e outros acontecimentos das horas anteriores. O próprio Tua Saúde explica que sono inadequado, estresse e alguns alimentos podem estar associados às crises de enxaqueca. Esse registro pode ajudar o médico a identificar padrões.
A luz forte sempre é um gatilho ou pode ser parte da própria crise?
As duas situações podem ocorrer. A Sociedade Brasileira de Cefaleia inclui luz intensa e exposição solar entre possíveis fatores desencadeantes, enquanto a sensibilidade aumentada à luz, chamada fotofobia, também é um sintoma típico da enxaqueca. Por isso, às vezes é difícil determinar se a luz iniciou a crise ou se o cérebro já estava entrando na fase inicial da enxaqueca quando o incômodo começou.
Essa mesma dificuldade pode ocorrer com outros supostos gatilhos. Mudanças de apetite, cansaço e sensibilidade a estímulos podem surgir antes da dor e serem confundidos com sua causa. Observar episódios repetidos é mais confiável do que atribuir uma única crise a determinado alimento ou situação.

Quando crises repetidas precisam de avaliação médica?
Crises frequentes, intensas ou que interferem no trabalho, sono e atividades diárias devem ser avaliadas por um médico. O diagnóstico correto também é importante antes de aumentar o uso de analgésicos, já que o consumo excessivo desses medicamentos pode contribuir para dores de cabeça cada vez mais frequentes.
Uma dor de cabeça súbita e extremamente intensa, especialmente quando acompanhada de fraqueza em um lado do corpo, confusão, desmaio, febre, rigidez no pescoço ou alterações neurológicas diferentes das habituais, exige avaliação médica imediata.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento realizados por um profissional de saúde.









