Alguns hábitos comuns podem aumentar, ao longo do tempo, o risco de acúmulo de gordura ou de lesões no fígado, mesmo quando a pessoa não sente nada. Consumo frequente de álcool, alimentação com excesso de açúcar, sedentarismo e uso inadequado de medicamentos estão entre os comportamentos que merecem atenção. Isso não significa que uma escolha isolada cause doença hepática, mas que a repetição pode contribuir para problemas em pessoas suscetíveis.
O que significa “sobrecarregar” o fígado?
“Sobrecarregar o fígado” não é um diagnóstico médico. A expressão pode ser usada para descrever situações que favorecem acúmulo de gordura, inflamação ou lesão das células hepáticas. Muitas dessas alterações evoluem silenciosamente, razão pela qual sentir-se bem não garante que o órgão esteja livre de problemas.
O National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases destaca alimentação, peso corporal e consumo de álcool entre os fatores importantes no cuidado da doença hepática gordurosa associada a alterações metabólicas.
Quais são os 7 hábitos que fazem mal ao fígado?
Os efeitos dependem da frequência, quantidade e das condições de saúde de cada pessoa. Entre os comportamentos que podem contribuir para problemas hepáticos estão:
- Beber álcool com frequência ou em grande quantidade: o fígado metaboliza boa parte do álcool consumido. O National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism relaciona o consumo de álcool ao aumento do risco de doença hepática.
- Tomar muitas bebidas açucaradas: refrigerantes, bebidas adoçadas e outras fontes frequentes de açúcares simples podem favorecer excesso de calorias e ganho de peso, fatores associados ao acúmulo de gordura no fígado.
- Basear a alimentação em ultraprocessados: refeições com muitos doces, salgadinhos, carnes processadas e outros produtos ricos em calorias, açúcares ou gorduras saturadas podem dificultar a manutenção de um peso saudável.
- Passar grande parte do dia sem se movimentar: o sedentarismo está relacionado a alterações metabólicas que aumentam a chance de esteatose. A atividade física pode trazer benefícios mesmo antes de ocorrer grande perda de peso.
- Consumir regularmente mais calorias do que o corpo necessita: porções muito grandes e excesso energético contínuo favorecem aumento do peso e da gordura abdominal, fatores fortemente ligados à esteatose metabólica.
- Usar medicamentos por conta própria ou acima da dose: alguns remédios podem causar lesão hepática quando utilizados inadequadamente.
- Tomar suplementos e produtos naturais sem orientação: “natural” não significa livre de riscos. Certos suplementos e extratos de plantas já foram associados a casos de lesão no fígado.

O que mudar na rotina para diminuir esses riscos?
Não é necessário procurar uma dieta de “detox”. As medidas mais úteis são justamente as que ajudam a controlar peso e saúde metabólica ao longo do tempo. Algumas mudanças possíveis são:
- trocar bebidas açucaradas por água na maior parte do dia;
- aumentar a presença de frutas, verduras, feijões e cereais integrais;
- reduzir o consumo frequente de ultraprocessados;
- manter atividade física regular;
- evitar o consumo excessivo de álcool;
- seguir as doses e orientações dos medicamentos prescritos.
Esses cuidados também aparecem entre as orientações utilizadas para prevenir e tratar a gordura no fígado e seus fatores associados.
Remédios e suplementos podem realmente machucar o fígado?
Sim, mas isso não significa que medicamentos corretamente indicados devam ser evitados. Um exemplo conhecido é o paracetamol: a FDA alerta que doses excessivas podem causar lesão hepática grave. Um dos riscos é utilizar simultaneamente diferentes produtos que contenham o mesmo princípio ativo sem perceber.
Suplementos também não são automaticamente seguros. Uma revisão publicada sobre hepatotoxicidade relacionada a suplementos alimentares descreve casos de lesão hepática associados a diferentes produtos. Por isso, vitaminas, extratos e compostos vendidos para emagrecer ou “limpar o fígado” não devem ser usados indiscriminadamente.

Quando é importante investigar a saúde do fígado?
Quem tem obesidade, diabetes, alterações nos triglicerídeos ou colesterol, consumo elevado de álcool ou histórico de uso de substâncias potencialmente tóxicas para o fígado pode precisar de avaliação individualizada. Alterações hepáticas também podem ser descobertas por acaso em exames de sangue ou de imagem, antes de provocarem sintomas.
Pele ou olhos amarelados, urina muito escura, inchaço abdominal importante, confusão ou vômitos persistentes justificam avaliação médica, principalmente quando surgem após uso inadequado de medicamentos ou suplementos.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento realizados por um profissional de saúde.









