O tratamento das varizes mudou bastante nos últimos anos. Em casos selecionados, veias safenas com refluxo podem ser fechadas por dentro com laser endovenoso ou radiofrequência, por meio de uma punção guiada por ultrassom. Essas técnicas evitam a retirada cirúrgica convencional da veia e podem aliviar sintomas como dor, peso e inchaço nas pernas. A indicação, porém, depende do tipo de variz e do resultado do exame vascular.
Como o laser trata a veia sem precisar retirá-la?
Na ablação endovenosa a laser, uma fibra fina é introduzida dentro da veia, geralmente por uma pequena punção. Com auxílio do ultrassom, o médico posiciona essa fibra no segmento que apresenta refluxo e libera energia térmica para provocar o fechamento controlado da parede venosa.
O sangue deixa de passar pela veia tratada e é redirecionado por outros vasos que funcionam adequadamente. A Diretriz Brasileira de Doença Venosa Crônica da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular inclui a ablação endovenosa entre as técnicas utilizadas no tratamento da insuficiência das veias superficiais.
E a radiofrequência funciona do mesmo jeito?
O princípio é semelhante. Em vez da energia do laser, a radiofrequência utiliza um cateter que aquece de forma controlada a parede interna da veia. O objetivo também é fechar o vaso doente sem a necessidade de retirar toda a safena por meio da cirurgia convencional.
Laser e radiofrequência fazem parte das chamadas técnicas de termoablação endovenosa. O procedimento costuma envolver:
- mapeamento da circulação com ultrassom Doppler;
- punção da veia que será tratada;
- introdução da fibra de laser ou do cateter de radiofrequência;
- anestesia local ao redor da veia em muitos casos;
- aplicação controlada de calor enquanto o dispositivo é retirado.

Esses tratamentos realmente aliviam os sintomas?
Quando as varizes estão relacionadas ao refluxo de uma veia safena, fechar essa veia pode melhorar manifestações da doença venosa crônica, como sensação de peso, dor, cansaço e inchaço. Estudos comparando termoablação com cirurgia convencional mostram bons resultados para o fechamento da veia e melhora clínica, motivo pelo qual laser e radiofrequência se tornaram opções consolidadas.
Isso não significa, porém, que toda pessoa com varizes nas pernas seja candidata ao procedimento. Vasinhos superficiais, tributárias varicosas e refluxos em diferentes segmentos podem exigir escleroterapia, outras técnicas endovenosas, pequenas retiradas de veias ou combinações de tratamentos.
Qual é a diferença para a cirurgia tradicional?
Na cirurgia convencional da safena, a veia pode ser ligada e retirada por meio de incisões. Já no laser e na radiofrequência, ela permanece no local e é fechada por dentro. Como o acesso geralmente ocorre por punção, a abordagem tende a ser menos invasiva e pode permitir recuperação mais rápida em muitos pacientes.
Isso não quer dizer que o procedimento seja completamente isento de riscos. Podem ocorrer hematomas, dor local, inflamação da veia, alterações temporárias de sensibilidade e, mais raramente, complicações trombóticas. Além disso, algumas varizes visíveis podem precisar de tratamento complementar mesmo após a ablação da safena.

Como saber se o laser ou a radiofrequência são indicados?
A aparência das veias não é suficiente para escolher o tratamento. O angiologista ou cirurgião vascular costuma avaliar os sintomas e solicitar ultrassom Doppler para identificar onde existe refluxo, quais veias estão comprometidas e se o sistema venoso profundo está funcionando adequadamente.
Com esse mapeamento, é possível decidir entre laser, radiofrequência, escleroterapia, tratamento cirúrgico ou uma combinação de técnicas. A escolha também leva em conta anatomia das veias, doenças prévias, risco de trombose e características individuais do paciente.
Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui avaliação, diagnóstico ou indicação de tratamento por um angiologista ou cirurgião vascular.









