As verduras compradas na feira livre costumam apresentar índices maiores de parasitas do que as vendidas embaladas no supermercado. Pesquisas brasileiras confirmam essa diferença, mas também mostram contaminação nos dois locais. Por isso, qualquer hortaliça consumida crua precisa de higienização correta antes de ir para o prato.
Por que folhas cruas podem carregar parasitas?
A contaminação começa, na maioria das vezes, no próprio cultivo. A água de irrigação sem tratamento, o adubo feito com esterco mal curtido e o contato direto com o solo levam ovos de vermes e cistos de protozoários para as folhas. Hortaliças rasteiras, como a alface, ficam mais expostas a esse processo.
Entre os parasitas mais encontrados estão a lombriga, os ancilostomídeos, causadores do amarelão, o Strongyloides, a giárdia e diferentes amebas. Muitos deles resistem por semanas no ambiente e não são visíveis a olho nu.

O que pesquisas brasileiras encontraram nas hortaliças?
Um levantamento feito em Minas Gerais ajuda a dimensionar o problema. Segundo uma pesquisa publicada na Revista de Nutrição em 2017, pesquisadores da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri analisaram 108 amostras de alface, cebolinha e rúcula em Diamantina. As coletas foram feitas todos os meses em uma feira livre, uma quitanda e um supermercado.
No total, 50,9% das amostras tinham estruturas parasitárias, e a alface foi a hortaliça mais contaminada. As verduras da feira apresentaram contaminação em 77,8% das amostras, o maior índice entre os pontos de venda. Outra pesquisa na mesma linha, feita em Fortaleza em 2023, encontrou parasitas em 86,6% das hortaliças da feira e em 40% das do supermercado.
Por que a feira costuma ter índices maiores?
Alguns fatores ajudam a explicar a diferença entre os dois tipos de comércio:
- Pequenos produtores muitas vezes irrigam com água de rios ou poços sem tratamento;
- As verduras ficam expostas a poeira, insetos e calor durante horas;
- Muitas pessoas tocam nas folhas para escolher o produto;
- Falta refrigeração na maioria das bancas.
Verdura embalada no mercado dispensa higienização?
A embalagem protege do toque dos clientes, mas não elimina o que veio do campo. No estudo de Diamantina, os próprios pesquisadores apontaram o cultivo como a etapa crítica para a contaminação. Hortaliças hidropônicas e orgânicas também podem conter parasitas. A exceção são os produtos com rótulo de “higienizado e pronto para consumo”, que passam por desinfecção na indústria e devem ser mantidos refrigerados.
Quem consome folhas contaminadas pode ter dor abdominal, diarreia, náuseas e perda de apetite, e algumas infecções passam meses sem sintomas. Vale conhecer os sintomas mais comuns das verminoses e fazer exame de fezes quando houver suspeita.

Como higienizar folhas e legumes crus?
O método recomendado pela Anvisa usa água sanitária própria para alimentos, com 2% a 2,5% de cloro ativo e sem perfume. O passo a passo é este:
- Separe as folhas uma a uma e descarte as partes estragadas;
- Lave em água corrente para retirar terra e sujeira visível;
- Deixe de molho por 15 minutos em uma solução de 1 colher de sopa de água sanitária para cada litro de água;
- Enxágue bem em água potável corrente;
- Seque e guarde em pote fechado na geladeira.
Higienização correta vale para qualquer origem
O vinagre e o sal ajudam a soltar sujeira, mas não eliminam os ovos e cistos de parasitas com a mesma eficácia do hipoclorito. A solução de água sanitária deve ser preparada na hora e usada uma única vez. Facas, tábuas e mãos também precisam estar limpas, já que podem recontaminar as folhas depois da desinfecção. Saladas servidas em restaurantes de procedência desconhecida merecem atenção redobrada, principalmente para crianças, gestantes e idosos.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico. Em caso de diarreia persistente, dor abdominal ou perda de peso sem explicação, procure atendimento para investigar a causa.









