A própolis vermelha brasileira vem sendo investigada como fonte de compostos capazes de atuar em diferentes etapas da cicatrização. Experimentos encontraram efeitos anti-inflamatórios, antioxidantes e antimicrobianos, além de sinais de melhora no reparo da pele. O interesse é especialmente relevante para feridas crônicas, que costumam permanecer inflamadas por mais tempo e apresentam maior risco de contaminação. Apesar dos resultados promissores, ainda faltam estudos clínicos específicos com própolis vermelha para confirmar sua eficácia em pacientes.
O que diferencia a própolis vermelha brasileira?
A própolis é produzida pelas abelhas a partir de resinas vegetais e sua composição depende das plantas disponíveis em cada região. A variedade vermelha brasileira é encontrada principalmente no Nordeste e tem como uma de suas principais fontes botânicas a Dalbergia ecastaphyllum. Pesquisas realizadas com amostras de Alagoas identificaram essa planta como fonte importante da própolis vermelha.
Ela contém diferentes compostos fenólicos, como isoflavonoides, chalconas e outros flavonoides. Essas moléculas ajudam a explicar por que pesquisadores vêm estudando possíveis propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e antimicrobianas dessa variedade.
O que os estudos mostram sobre cicatrização?
Boa parte das evidências ainda vem de experimentos em animais. Em um estudo publicado em 2022 com feridas na pele de ratos, formulações tópicas contendo 1% de própolis vermelha brasileira favoreceram contração da ferida e formação de novo epitélio, além de modificar marcadores envolvidos na formação de colágeno, vasos sanguíneos e defesa antioxidante.
Outro trabalho, também experimental, encontrou fechamento mais rápido das feridas e redução de marcadores inflamatórios em animais tratados com extrato de própolis vermelha. Esses resultados ajudam a explicar o interesse científico, mas ainda não demonstram que o mesmo efeito ocorrerá com a mesma intensidade em pessoas com úlceras crônicas.

Por que a ação antimicrobiana chama atenção?
Feridas de longa duração podem ser colonizadas ou infectadas por microrganismos, o que dificulta ainda mais a recuperação. Estudos em laboratório identificaram atividade da própolis vermelha contra algumas bactérias, incluindo Staphylococcus aureus. Isso levou pesquisadores a testar o extrato também em materiais desenvolvidos para futuros curativos.
Um estudo publicado em 2026 avaliou nanofibras poliméricas contendo extrato de própolis vermelha para aplicações em curativos, analisando características como atividade antimicrobiana, capacidade de absorver líquidos e compatibilidade com células. Trata-se, porém, de desenvolvimento experimental, e não de um curativo já comprovado para uso rotineiro em pessoas.
Já existe comprovação em pacientes com feridas crônicas?
A própolis, de maneira geral, já foi estudada em pessoas com diferentes tipos de ferida. Uma revisão sistemática sobre própolis e cicatrização cutânea encontrou resultados que justificam continuar investigando o produto. Há inclusive ensaios clínicos com outras variedades de própolis em úlceras crônicas.
Isso não permite concluir que a própolis vermelha terá os mesmos resultados. A composição muda entre variedades e regiões, e concentração, formulação e forma de aplicação também influenciam os efeitos. Portanto, pesquisas especificamente desenhadas para feridas crônicas em seres humanos ainda são necessárias antes de definir doses, segurança e benefício clínico.

Própolis pode ser passada diretamente em uma ferida?
Não é recomendado aplicar extratos ou preparações caseiras em feridas crônicas por conta própria. O própolis possui propriedades estudadas para cicatrização e atividade contra microrganismos, mas produtos diferentes podem ter concentrações, solventes e composições variadas. Além disso, própolis pode provocar reações alérgicas em algumas pessoas.
Feridas que permanecem abertas, apresentam secreção, mau cheiro, aumento da dor ou ocorrem em pessoas com diabetes ou problemas circulatórios precisam de avaliação profissional. Por enquanto, a própolis vermelha representa principalmente uma linha promissora de pesquisa para o desenvolvimento de novas formulações e curativos, e não um substituto dos tratamentos utilizados atualmente.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. Feridas crônicas devem ser acompanhadas por um profissional de saúde.









