A infecção pela Helicobacter pylori é muito mais comum do que os sintomas fazem parecer. Uma grande revisão epidemiológica estimou que aproximadamente 48,6% dos adultos no mundo têm a bactéria. Como muitas pessoas não sentem nada por anos ou mesmo décadas, é possível conviver com a H. pylori sem saber e descobri-la apenas durante uma investigação digestiva.
Quão comum é a H. pylori no mundo?
A elevada frequência da bactéria é conhecida há décadas. A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, ligada à Organização Mundial da Saúde, já descrevia que mais da metade da população mundial poderia estar infectada. Estudos epidemiológicos posteriores ajudaram a detalhar melhor essa distribuição e mostraram diferenças importantes entre idades e regiões.
Uma revisão sistemática com dados de 73 países, publicada em 2018, analisou mais de 410 mil participantes e estimou prevalência mundial de 44,3%. Quando considerados apenas os adultos com 18 anos ou mais, o percentual chegou a 48,6%. Nos países classificados no estudo como em desenvolvimento, a prevalência geral foi de 50,8%, contra 34,7% nos países desenvolvidos.
Por que tantas pessoas têm a bactéria sem saber?
A H. pylori consegue permanecer na mucosa do estômago por muito tempo e a infecção frequentemente não provoca sintomas perceptíveis. Por isso, ter a bactéria não significa necessariamente sentir dor, azia ou má digestão. O Tua Saúde explica que a infecção por H. pylori pode ser identificada por diferentes exames quando existe indicação para investigá-la.
Quando aparecem manifestações, elas também não são específicas da bactéria. Podem ocorrer dor ou queimação na parte superior do abdômen, sensação de estômago cheio, náuseas e desconforto digestivo, sintomas que também aparecem em várias outras condições. Assim, não é possível confirmar H. pylori apenas pelo que a pessoa sente.

Por que a prevalência muda tanto entre os países?
A frequência da infecção não é igual em todas as populações. A aquisição costuma acontecer na infância e está relacionada, entre outros fatores, às condições sanitárias e socioeconômicas em que a pessoa cresceu. A transmissão pode ocorrer entre pessoas próximas e também está associada ao contato com água ou alimentos contaminados.
Isso ajuda a explicar por que levantamentos encontram diferenças tão grandes entre regiões. Além das condições de saneamento, outros fatores que podem influenciar a prevalência incluem:
- acesso a água tratada e condições adequadas de higiene;
- maior número de pessoas vivendo no mesmo domicílio;
- convivência próxima com familiares infectados;
- condições socioeconômicas durante a infância;
- idade e geração da população estudada.
Por isso, dizer que “metade da população” tem H. pylori é uma aproximação global. Em determinadas regiões, os percentuais podem ficar bastante acima ou abaixo dessa média.

Todo mundo deveria fazer exame para H. pylori?
Não necessariamente. A alta prevalência, isoladamente, não significa que toda pessoa sem sintomas precise procurar um exame por conta própria. A decisão depende do histórico, dos sintomas e de fatores de risco. Entre as situações em que a investigação pode ser considerada estão dispepsia persistente, histórico de úlcera péptica e algumas condições associadas a maior risco de câncer gástrico.
Diretrizes do American College of Gastroenterology sobre investigação da dispepsia recomendam, por exemplo, teste não invasivo para H. pylori em determinados pacientes mais jovens com dispepsia e sem sinais de alarme. Dependendo da idade, do histórico familiar e de sintomas como sangramento digestivo, perda de peso sem explicação, anemia ou vômitos persistentes, o médico pode indicar uma avaliação diferente, incluindo endoscopia.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento realizados por um profissional de saúde.









