A canela é frequentemente apresentada como uma forma natural de “baixar o açúcar no sangue”, mas a evidência é mais moderada do que essa promessa sugere. Estudos encontram pequenas reduções em alguns marcadores de glicose, principalmente em pessoas com diabetes tipo 2, porém os resultados variam bastante e não justificam usar a especiaria como tratamento. O tipo de canela também importa, especialmente quando o consumo é frequente.
O que os estudos mostram sobre canela e glicemia?
Uma análise que reuniu 11 metanálises de ensaios clínicos encontrou redução média de aproximadamente 11 mg/dL na glicemia de jejum e de 0,1 ponto percentual na hemoglobina glicada entre pessoas com diabetes tipo 2 ou síndrome dos ovários policísticos. A diferença na hemoglobina glicada, portanto, foi pequena.
Uma metanálise mais recente, com 24 ensaios clínicos em pessoas com diabetes tipo 2, também encontrou melhora na glicemia de jejum, na hemoglobina glicada e em um indicador de resistência à insulina. Isso sugere algum efeito metabólico, mas não significa que todas as pessoas terão a mesma resposta.
Por que os resultados ainda são considerados inconsistentes?
Os estudos não utilizam sempre a mesma espécie de canela, quantidade, preparação ou duração do tratamento. Alguns avaliam pó, outros cápsulas ou extratos, e as características dos participantes também mudam. Em pesquisas anteriores, houve redução da glicemia de jejum sem melhora clara da hemoglobina glicada, mostrando como os resultados podem divergir.
Além disso, boa parte da evidência disponível vem de pessoas que já têm diabetes tipo 2. Por isso, não é correto afirmar que adicionar canela ao café, à fruta ou ao mingau terá o mesmo efeito em qualquer pessoa ou impedirá o desenvolvimento de diabetes.

Canela cássia e canela do Ceilão são iguais?
Não. A canela cássia, pertencente a espécies como Cinnamomum cassia, é bastante comum e contém concentrações maiores de cumarina. Já a canela do Ceilão, também chamada de canela verdadeira e identificada como Cinnamomum verum, apresenta teores muito menores dessa substância.
Essa diferença é mais importante quando o consumo é frequente ou em grandes quantidades. O Tua Saúde explica formas de incluir a canela na alimentação, como em frutas, mingaus, iogurtes e bebidas. Na prática, ela pode ser usada como tempero, sem precisar ser consumida em doses elevadas para fazer parte de uma alimentação equilibrada.
Por que a cumarina em excesso merece atenção?
A cumarina é uma substância naturalmente presente em algumas variedades de canela. O Instituto Federal Alemão de Avaliação de Riscos informa que a canela cássia possui concentrações maiores de cumarina e que o consumo elevado e prolongado pode representar risco para o fígado em pessoas sensíveis.
Por isso, quem consome canela regularmente deve prestar atenção à variedade, principalmente ao usar suplementos ou grandes quantidades do pó. Para uso frequente, a canela do Ceilão reduz a exposição à cumarina. Isso não significa que a cássia precise ser eliminada da cozinha, mas sim que não há vantagem comprovada em consumir grandes doses diariamente.

Vale colocar canela todos os dias pensando na glicose?
Usar pequenas quantidades de canela para dar sabor a frutas, café, iogurte ou mingau pode fazer parte da rotina. Ela pode inclusive ajudar algumas pessoas a reduzir o açúcar adicionado às preparações. O problema é transformar esse hábito em uma estratégia de tratamento baseada na expectativa de baixar significativamente a glicemia.
Quem tem pré-diabetes ou diabetes deve manter as medidas indicadas para controle da glicose, como alimentação adequada, atividade física e medicamentos quando prescritos. Suplementos de canela também não devem substituir o tratamento nem ser usados em altas doses por conta própria, especialmente por pessoas com problemas no fígado ou que utilizam medicamentos regularmente.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação ou acompanhamento de um médico ou nutricionista.









