Entre as quatro cores de pitaya vendidas no Brasil, a de polpa vermelha ou roxa é a que reúne mais antioxidantes e fibras. As outras variedades também são nutritivas, com poucas calorias e bastante água. A melhor escolha depende do objetivo, mas as diferenças entre elas são menores do que costumam prometer nas redes sociais.
Quais são as quatro cores da pitaya?
Botanicamente, existem três espécies principais da fruta, mas o comércio costuma separar quatro combinações de casca e polpa:
- Branca, com casca rosa e polpa clara, de sabor suave;
- Vermelha ou roxa, com casca rosa e polpa de cor intensa;
- Rosa, com polpa em tons intermediários, comum em variedades cruzadas;
- Amarela, com casca amarela, espinhos e polpa branca, considerada a mais doce.

O que a ciência mostrou sobre pitaya e glicemia?
O efeito da fruta no açúcar do sangue já foi reunido em uma análise de ensaios clínicos. Segundo uma revisão publicada na revista PLOS One em 2017, pesquisadores tailandeses avaliaram quatro estudos com 36 pessoas com pré-diabetes e 109 pacientes com diabetes tipo 2. Todos os testes usaram a pitaya de polpa vermelha, fresca, em suco ou em pó.
Nos pacientes com pré-diabetes, a fruta foi associada à redução da glicose em jejum nos pré-diabéticos. Já entre as pessoas com diabetes tipo 2, a queda observada não teve significância estatística. Os autores consideraram o resultado promissor para a prevenção, mas destacaram o número pequeno de participantes.
Por que a polpa vermelha se destaca?
A cor intensa vem das betacianinas, pigmentos da mesma família da beterraba com ação antioxidante. Esses compostos ajudam a neutralizar radicais livres, moléculas ligadas ao envelhecimento das células e à inflamação crônica. A polpa branca praticamente não tem esses pigmentos.
A variedade vermelha também apresenta mais fibras, com cerca de 3,26 g em cada 100 gramas, contra aproximadamente 1,3 g da branca e 1,4 g da amarela. Um detalhe curioso: depois de comer bastante pitaya vermelha, a urina e as fezes podem ficar avermelhadas por algumas horas, sem nenhum risco à saúde.
Qual cor escolher para cada objetivo?
Todas as versões podem fazer parte de uma alimentação equilibrada, mas cada uma tem um ponto forte:
- Polpa vermelha: mais antioxidantes e mais fibras, boa para a saúde do intestino e do coração;
- Polpa branca: um pouco menos de carboidrato e mais vitamina C, com sabor neutro para saladas e sucos;
- Pitaya amarela: mais doce, com fama de efeito laxativo mais forte por causa das sementes;
- Polpa rosa: características intermediárias entre a branca e a vermelha.
Para comparar a composição de cada tipo em detalhes, vale conferir os benefícios da pitaya e seus tipos, com a tabela nutricional de cada variedade.

Quem precisa de cuidado ao comer pitaya?
Pessoas com diabetes podem comer a fruta, mas a porção deve entrar na conta de carboidratos do dia. Quem usa remédios para controlar a glicose deve conversar com o médico antes de consumir pitaya todos os dias, pelo risco teórico de queda excessiva do açúcar no sangue.
Em grande quantidade, a fruta pode soltar o intestino. A pitaya em pó, vendida como suplemento, ainda não tem dose diária definida nem estudos de longo prazo em humanos.
A diferença entre as cores é menor do que parece
Em 100 gramas, a pitaya branca tem cerca de 43 calorias e 8,3 gramas de carboidratos, enquanto a vermelha tem 45 calorias e 9,5 gramas. Essa diferença de pouco mais de 1 grama de carboidrato não muda o efeito na glicemia de forma relevante. A recomendação de 2 a 3 porções de frutas por dia continua valendo, e uma pitaya pequena, de cerca de 200 gramas, já equivale a uma porção generosa.
Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um médico ou nutricionista. Pessoas com diabetes ou em uso de remédios contínuos devem avaliar o consumo com um profissional.









