A faixa de peso saudável para cada altura é calculada pelo IMC, o índice de massa corporal adotado pela Organização Mundial da Saúde. Para quem mede 1,70 metro, por exemplo, ela vai de 53,5 a 72 quilos. O número ajuda a identificar riscos como sobrepeso e obesidade, mas não define sozinho o estado de saúde de ninguém.
Como a OMS define o peso saudável?
O IMC é obtido pela divisão do peso, em quilos, pela altura ao quadrado, em metros. Para adultos, a OMS considera adequado o resultado entre 18,5 e 24,9. Abaixo de 18,5, a classificação é baixo peso.
De 25 a 29,9, o adulto entra na faixa de sobrepeso. A partir de 30, o quadro passa a ser obesidade, dividida em três graus conforme o valor sobe. Essa régua vale para homens e mulheres acima de 20 anos.

O que um grande estudo revelou sobre IMC e longevidade?
A relação entre peso e expectativa de vida foi testada em escala gigantesca. Segundo uma pesquisa publicada na revista The Lancet em 2016, o consórcio Global BMI Mortality Collaboration reuniu dados de 10,6 milhões de adultos em 239 estudos de quatro continentes. Para evitar distorções, a análise principal considerou apenas quase 4 milhões de pessoas que nunca fumaram e não tinham doenças crônicas no início.
Após um acompanhamento médio de 13,7 anos, os pesquisadores encontraram a menor mortalidade com IMC entre 20 e 25. Abaixo de 18,5, o risco de morte subiu 51%. Na faixa de 27,5 a 30, o aumento foi de 20%, e mesmo o sobrepeso leve já elevou o risco em 7%.
Qual o peso indicado para cada altura?
Aplicando os limites de 18,5 e 24,9 ao quadrado de cada altura, as faixas aproximadas para adultos ficam assim:
- 1,50 m: de 41,6 a 56 kg;
- 1,55 m: de 44,4 a 59,8 kg;
- 1,60 m: de 47,4 a 63,7 kg;
- 1,65 m: de 50,4 a 67,8 kg;
- 1,70 m: de 53,5 a 72 kg;
- 1,75 m: de 56,7 a 76,3 kg;
- 1,80 m: de 59,9 a 80,7 kg;
- 1,85 m: de 63,3 a 85,2 kg.
Para alturas intermediárias, o cálculo é o mesmo e leva poucos segundos. Quem prefere não fazer a conta à mão pode usar uma calculadora de IMC online e conferir o intervalo exato para a própria altura.

Por que o IMC não conta a história toda?
O índice não separa músculo, gordura e osso, nem mostra onde a gordura está acumulada. Por isso, ele pode enganar em alguns grupos:
- Atletas e praticantes de musculação, com muita massa muscular;
- Idosos, pela perda natural de músculos com a idade;
- Gestantes, acompanhadas por curvas próprias de ganho de peso;
- Crianças e adolescentes, avaliados por tabelas de idade e sexo.
A circunferência da cintura complementa a avaliação, porque a gordura abdominal está mais ligada a diabetes e doenças do coração. A OMS aponta risco aumentado a partir de 94 cm nos homens e 80 cm nas mulheres, medidos na altura do umbigo.
O que muda na avaliação depois dos 60 anos?
Para idosos, o Ministério da Saúde adota uma faixa diferente na atenção básica. O IMC considerado adequado fica entre 22 e 27, um pouco acima da referência dos adultos mais jovens. A margem extra protege contra a desnutrição e a perda de massa muscular, comuns nessa fase.
Nessa idade, emagrecer sem querer também é um sinal de alerta. A perda de peso sem dieta ou mudança de rotina merece investigação com o médico.
Cintura e IMC juntos dão a leitura mais precisa
Os dois indicadores somados mostram o risco com mais clareza do que a balança isolada. Uma pessoa de 1,70 metro chega ao IMC de 27,5 com cerca de 79,5 quilos, faixa em que o estudo da Lancet registrou mortalidade 20% maior. Se a cintura também passar dos limites da OMS, o risco metabólico se soma. Exames de glicemia, colesterol e pressão arterial completam a avaliação e indicam se o peso já está afetando o organismo.
As informações deste texto são apenas informativas e não substituem a avaliação de um médico ou nutricionista. Para definir metas de peso adequadas ao seu caso, procure acompanhamento profissional.









