Anti-inflamatórios como ibuprofeno, diclofenaco e naproxeno podem ser úteis para aliviar dor e inflamação, mas o uso frequente ou prolongado aumenta a exposição a efeitos adversos. Estômago, rins e sistema cardiovascular estão entre as áreas que mais exigem atenção, enquanto alterações no fígado também podem ocorrer com alguns medicamentos. O risco varia conforme a dose, o tempo de tratamento, a idade, outras doenças e os remédios utilizados ao mesmo tempo.
Quais são os efeitos colaterais de anti-inflamatório mais comuns?
Os anti-inflamatórios não esteroides, conhecidos como AINEs, diminuem a produção de prostaglandinas, substâncias envolvidas na inflamação e na dor. O problema é que algumas prostaglandinas também ajudam a proteger o estômago e participam da circulação dos rins. Por isso, bloquear sua produção pode provocar efeitos em diferentes órgãos.
Entre os efeitos mais comuns estão dor ou queimação no estômago, má digestão, náusea, diarreia, tontura e retenção de líquidos. A página do Tua Saúde sobre os principais tipos de anti-inflamatórios e seus efeitos colaterais também mostra que os riscos e contraindicações variam de acordo com cada medicamento.
O que pode acontecer com o estômago e os rins?
No aparelho digestivo, o uso contínuo pode irritar a mucosa, favorecer úlceras e aumentar o risco de sangramento gastrointestinal. O NHS alerta que os AINEs podem provocar úlcera ou sangramento no estômago, inclusive com sinais como dor abdominal, vômito com sangue ou fezes pretas e pegajosas.
Nos rins, esses medicamentos podem reduzir mecanismos que ajudam a manter a circulação e a filtração, principalmente em situações de desidratação ou em pessoas que já apresentam função renal comprometida. O risco de lesão renal tende a ser maior com doses elevadas, uso prolongado, idade avançada e combinação com certos medicamentos.

Anti-inflamatório também pode afetar o coração e o fígado?
Alguns AINEs podem favorecer retenção de sódio e líquidos, elevar a pressão arterial e piorar quadros de insuficiência cardíaca. Dependendo do medicamento e do perfil do paciente, o tratamento também está associado a maior risco de eventos cardiovasculares. Por isso, pessoas com hipertensão, doença cardíaca ou histórico de infarto precisam de avaliação cuidadosa antes de manter o uso frequente.
Alterações no fígado são menos comuns do que os efeitos gastrointestinais, mas também podem ocorrer. Em tratamentos prolongados ou em pessoas com doença hepática, pode ser necessário acompanhar exames. O serviço especializado em medicamentos do NHS inclui função renal, pressão arterial e, em situações específicas, função hepática entre os parâmetros que podem precisar de monitoramento durante o uso de AINEs.
Quem precisa ter cuidado redobrado com esses medicamentos?
O risco não é igual para todas as pessoas. Atenção especial costuma ser necessária quando existem condições ou situações como:
- doença renal crônica;
- hipertensão ou insuficiência cardíaca;
- histórico de gastrite, úlcera ou sangramento digestivo;
- doença do fígado;
- idade avançada;
- desidratação;
- uso de anticoagulantes, diuréticos, corticoides ou alguns medicamentos para pressão.
Nesses casos, até medicamentos vendidos sem receita merecem cautela. O médico pode avaliar se o anti-inflamatório realmente é necessário, qual opção apresenta menor risco e se existem alternativas para controlar a dor de acordo com sua causa.

O que fazer quando o anti-inflamatório está virando rotina?
Tomar anti-inflamatório repetidamente para conseguir trabalhar, dormir ou realizar atividades cotidianas pode ser um sinal de que a causa da dor precisa ser investigada. Em vez de simplesmente prolongar o medicamento, o médico pode avaliar outras estratégias, como fisioterapia, medidas locais, tratamento da doença de base ou outro tipo de analgésico quando apropriado.
Não existe um período de uso seguro que seja igual para todas as pessoas. Quem precisa do medicamento com frequência, apresenta dor de estômago persistente, fezes pretas, redução da urina, inchaço, falta de ar ou piora da pressão deve buscar avaliação médica e não aumentar, combinar ou suspender medicamentos prescritos por conta própria.
Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui avaliação médica ou orientação individualizada sobre o uso de medicamentos.








