Os rins podem perder parte da capacidade de funcionar sem causar sintomas no início. Por isso, dois exames simples são especialmente importantes para avaliar a saúde renal: a creatinina no sangue, usada para estimar a taxa de filtração glomerular, e a pesquisa de albumina na urina. Eles mostram aspectos diferentes do funcionamento dos rins e são particularmente úteis para pessoas com diabetes, pressão alta ou histórico familiar de doença renal.
O que a creatinina mostra sobre o funcionamento dos rins?
A creatinina é uma substância produzida pelo metabolismo dos músculos e eliminada principalmente pelos rins. Sua concentração no sangue é usada junto com informações como idade e sexo para calcular a taxa de filtração glomerular estimada, conhecida como eTFG, que indica aproximadamente quanto os rins conseguem filtrar.
Por isso, avaliar apenas se a creatinina está dentro do valor de referência nem sempre é suficiente. O National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases, o NIDDK, recomenda considerar a taxa de filtração e a albumina na urina na investigação de doença renal, porque os dois exames fornecem informações complementares.
Por que também é preciso procurar albumina na urina?
Rins saudáveis normalmente impedem que quantidades importantes de albumina, uma proteína presente no sangue, escapem para a urina. Quando os pequenos filtros renais sofrem lesão, porém, essa proteína pode começar a aparecer em quantidade aumentada mesmo quando a filtração ainda parece preservada.
Um dos exames mais usados é a relação albumina/creatinina urinária, também chamada de RAC ou UACR. Geralmente, ela pode ser medida em uma amostra isolada de urina, sem necessidade de guardar toda a urina durante 24 horas. Assim, a eTFG ajuda a mostrar como os rins estão filtrando, enquanto a albumina urinária pode indicar se há sinais de lesão renal.

Quem deve fazer exames para os rins regularmente?
A investigação é especialmente importante para quem tem fatores que aumentam o risco de doença renal crônica. O NIDDK recomenda rastrear pessoas com maior risco de doença renal, incluindo aquelas com diabetes, hipertensão, doença cardiovascular ou histórico familiar de insuficiência renal.
Entre os grupos que merecem acompanhamento estão:
- pessoas com diabetes, pois a glicose elevada ao longo do tempo pode lesionar os filtros renais;
- pessoas com pressão alta, já que hipertensão e doença renal podem influenciar uma à outra;
- quem tem histórico familiar de insuficiência renal ou doença renal crônica;
- pessoas com doença cardiovascular ou outros fatores de risco avaliados pelo médico;
- quem já teve exames renais alterados, que pode precisar de acompanhamento mais próximo.
Com que frequência esses exames precisam ser feitos?
A periodicidade depende do risco individual e dos resultados anteriores. Pessoas com diabetes devem ter a função renal e a albumina urinária avaliadas regularmente, em geral pelo menos uma vez por ano. Para quem tem hipertensão, doença cardiovascular ou histórico familiar, o intervalo deve ser definido conforme idade, outras doenças, medicamentos utilizados e resultados anteriores.
Um resultado alterado isoladamente nem sempre significa doença renal crônica. Desidratação, exercício intenso, massa muscular, alguns medicamentos e outras condições podem interferir na creatinina, enquanto infecção, febre e exercício podem alterar temporariamente a albumina urinária. Quando há uma alteração, pode ser necessário repetir o exame e observar se ela persiste.

Outros exames podem ser necessários para investigar os rins?
Sim. Dependendo do caso, o médico pode pedir exame de urina comum, ureia, eletrólitos, ultrassonografia dos rins ou exames mais específicos. Esses testes não substituem necessariamente a eTFG e a relação albumina/creatinina, mas podem ajudar a descobrir a causa de uma alteração ou avaliar melhor a estrutura e o funcionamento renal.
Como a doença renal pode avançar sem sintomas evidentes, não é preciso esperar aparecer dor, inchaço ou mudança na urina para conversar sobre esses exames. Para quem pertence a um grupo de risco, acompanhar os resultados ao longo do tempo costuma ser mais informativo do que interpretar apenas um número isolado.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico ou nefrologista.









