A insuficiência cardíaca geralmente é uma condição crônica e, na maioria dos casos, não tem uma cura definitiva. Isso não significa, porém, que pouco possa ser feito. Os tratamentos atuais conseguem aliviar sintomas, reduzir internações e, em muitos pacientes, aumentar a sobrevida. A escolha dos medicamentos depende do tipo de insuficiência cardíaca, da função do coração, dos sintomas e de outras doenças presentes.
O que o tratamento tenta melhorar?
Na insuficiência cardíaca, o coração tem dificuldade para bombear ou receber sangue adequadamente. Com isso, podem aparecer falta de ar, cansaço, inchaço nas pernas e menor tolerância a atividades que antes eram simples. O tratamento busca diminuir essa sobrecarga e impedir ou retardar a progressão da doença.
O National Heart, Lung, and Blood Institute explica que a insuficiência cardíaca não tem cura na maioria dos casos, mas pode ser controlada para que a pessoa viva por mais tempo, tenha menos sintomas e mantenha uma rotina mais ativa.
Por que são usados vários remédios ao mesmo tempo?
É comum que o tratamento da insuficiência cardíaca envolva uma combinação de medicamentos porque cada classe atua em uma parte diferente do problema. Alguns reduzem a retenção de líquidos, enquanto outros diminuem a sobrecarga do coração ou interferem em mecanismos hormonais que, quando excessivamente ativados, podem favorecer a progressão da doença.
Entre as principais classes utilizadas, dependendo do tipo de insuficiência cardíaca, estão:
- inibidores do sistema renina-angiotensina, incluindo IECA, BRA ou a combinação conhecida como ARNI;
- betabloqueadores, que ajudam a reduzir a sobrecarga sobre o coração;
- antagonistas dos receptores de mineralocorticoides, como a espironolactona em situações específicas;
- inibidores de SGLT2, inicialmente desenvolvidos para diabetes, mas hoje importantes também no tratamento da insuficiência cardíaca;
- diuréticos, utilizados principalmente para controlar retenção de líquido, falta de ar e inchaço.

Esses medicamentos realmente aumentam a sobrevida?
Algumas classes fazem mais do que melhorar sintomas. Na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, por exemplo, diretrizes atuais recomendam uma combinação de medicamentos porque ela pode diminuir hospitalizações e o risco de morte. Uma diretriz publicada em 2026 pela American Heart Association reforça o uso combinado de medicamentos que atuam no sistema renina-angiotensina, betabloqueadores, antagonistas de mineralocorticoides e inibidores de SGLT2 nesse grupo de pacientes.
Nem toda insuficiência cardíaca, porém, é igual. Existem formas em que a capacidade de contração está reduzida e outras em que a fração de ejeção permanece preservada. Por isso, o mesmo conjunto de remédios não serve obrigatoriamente para todas as pessoas.
Por que o cardiologista precisa ajustar o tratamento?
Além do tipo da doença, o médico leva em conta pressão arterial, frequência cardíaca, funcionamento dos rins, níveis de potássio, presença de diabetes e resposta aos medicamentos. Algumas doses são aumentadas gradualmente e exames podem ser solicitados durante o acompanhamento.
O Tua Saúde apresenta as principais opções no conteúdo sobre tratamento da insuficiência cardíaca, que pode incluir também controle do sal, atividade física orientada, abandono do cigarro e tratamento das doenças que contribuem para a sobrecarga do coração.

Quem está se sentindo melhor pode parar os remédios?
Não. A melhora dos sintomas pode acontecer justamente porque o tratamento está funcionando. Interromper um diurético, betabloqueador ou outro medicamento por conta própria pode favorecer acúmulo de líquidos, piora da pressão, alterações cardíacas e descompensação da insuficiência cardíaca.
Se surgirem tontura, pressão muito baixa, efeitos colaterais ou dificuldade para manter o tratamento, o correto é conversar com o cardiologista. Muitas vezes é possível ajustar dose, horário ou classe do medicamento sem abandonar os benefícios do tratamento.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. Pessoas com insuficiência cardíaca não devem iniciar, suspender ou alterar doses de medicamentos sem orientação do cardiologista.









