Tomar um antialérgico é uma reação comum quando surge coceira, mas o medicamento não funciona igualmente para todas as causas. Os anti-histamínicos costumam ajudar especialmente quando a histamina participa do problema, como acontece na urticária. Já coceiras relacionadas a algumas doenças do fígado ou dos rins podem responder pouco, porque envolvem outros mecanismos.
Por que o antialérgico funciona bem na urticária?
Na urticária, a pele costuma apresentar placas elevadas e avermelhadas que coçam bastante e podem mudar de lugar ao longo do dia. A histamina tem papel importante nesse processo, por isso os anti-histamínicos H1 conseguem bloquear parte de sua ação e reduzir a coceira e as lesões.
Uma diretriz internacional sobre urticária recomenda anti-histamínicos H1 de segunda geração como tratamento inicial. Medicamentos como a loratadina também são usados para aliviar coceira associada à urticária e a outras manifestações alérgicas.
Por que algumas coceiras não melhoram com antialérgico?
Coceira é um sintoma, e não uma doença única. Ela pode surgir por alergias, ressecamento da pele, dermatites, medicamentos e até alterações sistêmicas. Se a histamina não for a principal responsável, bloquear sua ação pode trazer pouco ou nenhum alívio.
É o que pode acontecer na coceira associada à doença renal crônica. Uma revisão sobre prurido relacionado à doença renal crônica relata que estudos com anti-histamínicos geralmente não demonstraram boa eficácia nesse quadro e recomenda direcionar o tratamento para mecanismos específicos da doença.

E quando a coceira tem origem no fígado?
Algumas doenças que dificultam o fluxo da bile podem provocar um tipo de coceira chamado prurido colestático. Nesse caso, a histamina também não parece ser a principal responsável. A coceira pode ser generalizada, piorar à noite e, em algumas pessoas, ser especialmente intensa nas palmas das mãos e plantas dos pés.
A American Association for the Study of Liver Diseases explica que há evidência limitada para anti-histamínicos no prurido colestático. Em alguns casos, a sensação de melhora obtida com medicamentos mais antigos pode estar relacionada mais à sedação durante a noite do que a um efeito direto sobre a causa da coceira.
Por que os antialérgicos mais antigos exigem mais cuidado?
Anti-histamínicos de primeira geração, como hidroxizina e difenidramina, atravessam mais facilmente a barreira que protege o cérebro e podem provocar sonolência, redução da atenção e outros efeitos anticolinérgicos. Isso pode atrapalhar atividades como dirigir ou operar máquinas.
O cuidado é ainda maior em idosos. As recomendações da American Geriatrics Society orientam evitar, sempre que possível, anti-histamínicos de primeira geração nessa população devido a efeitos como sedação, confusão e maior risco de quedas. Quando um anti-histamínico sistêmico realmente é necessário, opções mais novas costumam ser consideradas por apresentarem menor efeito sedativo.

Quando a coceira precisa ser investigada?
Uma coceira passageira após contato com algo que provocou alergia é diferente de um quadro que persiste por semanas, ocorre no corpo todo ou aparece sem lesões visíveis na pele. Nesses casos, é importante investigar a causa antes de repetir antialérgicos por conta própria.
Também merece avaliação a coceira acompanhada de pele ou olhos amarelados, alterações na urina, inchaço, perda de peso sem explicação ou outros sintomas gerais. Já dificuldade para respirar, inchaço da língua ou da garganta e sensação de desmaio junto de uma reação alérgica exigem atendimento imediato.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. O tratamento da coceira depende da causa, e antialérgicos devem ser utilizados de acordo com orientação profissional, especialmente por idosos ou pessoas que usam outros medicamentos.









