Não. Muitos exames de sangue podem ser feitos sem jejum, e a orientação mudou para alguns testes ao longo dos últimos anos. Hemograma, hemoglobina glicada e vários exames hormonais, por exemplo, geralmente não dependem de várias horas sem comer. Já outros testes ainda exigem preparo específico. Por isso, a regra mais segura é conferir a orientação dada para cada exame antes da coleta.
Por que nem todo exame de sangue precisa de jejum?
O jejum é solicitado quando a alimentação pode modificar de forma relevante o que está sendo medido ou quando os valores usados para interpretar o exame foram definidos para uma coleta em jejum. Isso acontece, por exemplo, com a glicemia de jejum, usada na investigação de alterações do açúcar no sangue.
Em outros testes, comer antes da coleta interfere pouco ou não muda de forma importante a interpretação. O tempo de jejum varia conforme o exame de sangue, e até exames pedidos na mesma solicitação podem ter preparos diferentes.
Quais exames costumam não exigir jejum?
Entre os exames frequentemente realizados sem necessidade de ficar horas sem comer estão alguns testes bastante comuns. A orientação final, porém, deve sempre ser confirmada com o laboratório ou com o profissional que fez o pedido.
- Hemograma: em geral, não precisa de jejum para avaliar hemácias, leucócitos e plaquetas.
- Hemoglobina glicada: reflete a glicose ao longo dos últimos meses e não depende da refeição imediatamente anterior.
- TSH: normalmente não exige jejum, embora medicamentos e horário da coleta possam exigir orientações específicas.
- Vários exames de função renal: podem ser realizados sem jejum, dependendo do conjunto de testes solicitado.
Se diferentes exames forem colhidos de uma só vez, é necessário seguir o preparo daquele que tiver a exigência mais restritiva, quando isso for orientado pelo laboratório.

E o colesterol ainda precisa ser medido em jejum?
Nem sempre. Durante muitos anos, era comum orientar várias horas sem comer antes de medir colesterol e triglicerídeos. Hoje, o perfil lipídico pode ser realizado sem jejum em muitas situações. A Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial discutiu a flexibilização do jejum para o perfil lipídico após estudos mostrarem que a coleta sem jejum pode ser adequada para avaliação do risco cardiovascular.
Isso não significa que o jejum tenha desaparecido em todos os casos. Dependendo dos triglicerídeos, do objetivo da investigação, de resultados anteriores ou da orientação médica, uma nova coleta em jejum pode ser necessária.
Quais exames ainda podem pedir jejum?
A glicemia de jejum é um exemplo claro, porque o objetivo é justamente verificar a concentração de glicose depois de um período sem ingestão de alimentos. Alguns testes metabólicos e outros exames específicos também podem ter regras próprias.
Além de ficar sem comer, o preparo pode envolver outras recomendações. Dependendo do exame, o laboratório pode orientar horário específico para a coleta, suspensão temporária de suplementos somente quando prescrita pelo profissional, evitar exercício intenso ou informar quais medicamentos foram usados. Não se deve interromper remédios por conta própria para fazer um exame.

Como saber se o exame de sangue precisa de jejum?
Antes da coleta, confira a orientação no pedido médico ou diretamente com o laboratório, informando todos os exames que serão realizados. Não vale aplicar automaticamente a antiga regra de ficar 8 ou 12 horas sem comer para qualquer coleta, porque isso pode causar desconforto desnecessário e não é exigido para muitos testes.
Também é melhor não decidir por conta própria fazer um jejum mais longo do que o solicitado. Crianças, gestantes, idosos e pessoas que usam medicamentos para diabetes, por exemplo, podem precisar de cuidados adicionais com períodos prolongados sem alimentação. O preparo correto é aquele indicado para o exame e para a situação individual.
Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação do médico, do laboratório ou de outro profissional de saúde responsável pelos exames.









