É possível estar com pré-diabetes e se sentir completamente bem. Isso acontece porque a elevação da glicose costuma se desenvolver de forma gradual e, nessa fase, frequentemente não provoca sintomas claros. A maneira confiável de saber se você tem pré-diabetes é fazer exames de sangue, principalmente glicemia de jejum e hemoglobina glicada. Por isso, esperar sede, cansaço ou vontade frequente de urinar pode atrasar a descoberta da alteração.
Por que o pré-diabetes pode não causar sintomas?
No pré-diabetes, a quantidade de glicose no sangue está acima do considerado normal, mas ainda não atingiu os critérios usados para diabetes. Essa alteração pode passar despercebida, inclusive durante bastante tempo, e ser encontrada apenas em exames solicitados em um check-up.
O National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases, dos Estados Unidos, explica que profissionais de saúde utilizam exames de sangue para identificar o pré-diabetes. Assim, sentir-se bem não significa necessariamente que a glicose esteja dentro da faixa esperada.
Quais resultados podem indicar pré-diabetes?
Existem diferentes exames capazes de mostrar alterações no metabolismo da glicose. Entre os mais utilizados estão a glicemia de jejum e a hemoglobina glicada, também chamada de HbA1c ou A1C.
De acordo com os critérios apresentados pelo NIDDK, as faixas usadas para identificar pré-diabetes em pessoas não grávidas incluem:
- Glicemia de jejum: entre 100 e 125 mg/dL;
- Hemoglobina glicada: entre 5,7% e 6,4%;
- Teste oral de tolerância à glicose: entre 140 e 199 mg/dL após duas horas da ingestão de 75 g de glicose.

Qual é a diferença entre glicemia de jejum e hemoglobina glicada?
A glicemia de jejum mostra a concentração de glicose no sangue naquele momento e deve ser realizada após o período de jejum indicado para o exame. Já a hemoglobina glicada oferece uma estimativa da média dos níveis de glicose dos últimos meses e não exige jejum.
Os resultados nem sempre são iguais. Uma pessoa pode apresentar glicemia de jejum normal e hemoglobina glicada na faixa de pré-diabetes, ou o contrário. Além disso, algumas condições podem interferir na HbA1c. Por isso, o resultado deve ser interpretado junto com o histórico de saúde e, quando necessário, outros exames. O Tua Saúde detalha também como o pré-diabetes é identificado e acompanhado.
Quem deveria conversar com o médico sobre fazer os exames?
Mesmo sem sintomas, a investigação pode ser especialmente relevante quando existem fatores associados a maior risco de diabetes tipo 2. Alguns exemplos são:
- sobrepeso ou obesidade, especialmente com acúmulo de gordura abdominal;
- histórico familiar de diabetes;
- sedentarismo;
- pressão alta;
- alterações de colesterol ou triglicerídeos;
- histórico de diabetes gestacional;
- síndrome dos ovários policísticos.
A presença de um ou mais desses fatores não significa que a pessoa tenha pré-diabetes. Ela apenas ajuda o profissional de saúde a decidir quando e com que frequência vale a pena verificar a glicose.

Um resultado alterado significa que já tenho diabetes?
Não. A faixa de pré-diabetes é diferente daquela utilizada para diagnosticar diabetes. Na glicemia de jejum, por exemplo, resultados entre 100 e 125 mg/dL ficam na faixa intermediária, enquanto valores a partir de 126 mg/dL entram no critério laboratorial para diabetes. Na HbA1c, a faixa de pré-diabetes vai de 5,7% a 6,4%, enquanto 6,5% ou mais é um dos critérios para diabetes.
Um resultado isolado deve ser interpretado por um profissional de saúde, que pode considerar repetir o exame ou solicitar outro teste, principalmente quando os valores não combinam entre si. Descobrir a alteração antes do aparecimento de sintomas também permite avaliar hábitos e outros fatores de risco antes que a glicose aumente ainda mais.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica, diagnóstico ou orientação individualizada.









