Um infarto nem sempre começa com aquela dor forte no peito que muita gente imagina. Em alguns casos, surgem queimação, pressão na parte alta do abdômen, náusea, suor frio ou um mal-estar que pode ser confundido com azia ou má digestão. Como não é possível excluir um problema cardíaco apenas pela aparência dos sintomas, desconfortos suspeitos não devem ser observados em casa à espera de melhora. Na dúvida sobre um possível infarto, o correto é acionar o SAMU pelo 192.
O que acontece durante um infarto?
O infarto agudo do miocárdio ocorre quando o fluxo de sangue para uma parte do músculo cardíaco diminui ou é interrompido, geralmente devido à formação de um coágulo sobre uma placa de gordura em uma artéria coronária. Sem oxigênio suficiente, as células do coração começam a sofrer lesão, por isso o tratamento precisa ser iniciado rapidamente.
O infarto pode provocar dor no peito, náusea, suor frio e palidez, mas a apresentação varia bastante. A sensação mais conhecida é de pressão, aperto, peso ou desconforto no centro do peito, que pode se espalhar para braços, costas, pescoço ou mandíbula.
Por que o infarto pode parecer uma má digestão?
O coração e órgãos do sistema digestivo podem produzir desconfortos em regiões próximas. Durante um evento cardíaco, algumas pessoas apresentam dor ou pressão na parte superior do abdômen, enjoo, vômitos ou sensação semelhante a uma indigestão. Esses sintomas podem aparecer acompanhados ou não de dor torácica evidente.
Alguns sinais que aumentam a preocupação com uma causa cardíaca incluem:
- pressão, aperto, peso ou queimação no peito;
- dor ou desconforto que se espalha para braço, mandíbula, costas, pescoço ou estômago;
- falta de ar;
- suor frio;
- náusea, tontura ou fraqueza repentina;
- mal-estar intenso sem explicação clara.

Mulheres podem ter sintomas diferentes dos homens?
A dor ou o desconforto no peito continua sendo uma manifestação frequente tanto em homens quanto em mulheres. No entanto, uma análise de 27 estudos sobre sintomas das síndromes coronarianas agudas encontrou, entre as mulheres, maior frequência relativa de náusea ou vômitos, falta de ar e dor entre as escápulas, além de menor frequência de dor no peito quando comparadas aos homens.
Isso não significa que exista um conjunto totalmente diferente de “sintomas femininos”. A própria pesquisa encontrou grande sobreposição entre os sexos. O cuidado é não descartar a possibilidade de infarto porque a pessoa apresenta enjoo, desconforto abdominal ou cansaço junto de outros sinais suspeitos.
Idosos e pessoas com diabetes também podem ter menos dor no peito?
Sim, o quadro pode ser menos evidente nesses grupos. O Ministério da Saúde alerta que idosos e pessoas com diabetes podem ter infarto sem sinais específicos. Nos idosos, por exemplo, falta de ar ou até dor abdominal semelhante à provocada por problemas digestivos podem fazer parte da apresentação.
Isso não quer dizer que qualquer indigestão em uma pessoa idosa ou com diabetes seja um infarto. O ponto é que um mal-estar súbito, principalmente acompanhado de suor frio, falta de ar, fraqueza, pressão no peito ou outros sintomas novos, merece mais atenção e não deve ser automaticamente atribuído ao estômago.

O que fazer se ficar em dúvida entre infarto e má digestão?
Não é seguro tentar resolver a dúvida tomando um antiácido e esperando para ver se passa. Exames como eletrocardiograma e dosagem de troponina ajudam os profissionais de saúde a diferenciar um problema cardíaco de outras causas de desconforto. Conhecer os possíveis sintomas do infarto pode ajudar a reconhecer uma situação suspeita, mas não substitui essa avaliação.
Diante de suspeita de infarto, o Ministério da Saúde orienta acionar o SAMU pelo número 192. O serviço é gratuito e funciona 24 horas. Enquanto o atendimento é organizado, siga as orientações fornecidas pela equipe e evite atrasar o socorro tentando confirmar sozinho se o desconforto é apenas digestivo.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Na suspeita de infarto, procure atendimento de emergência imediatamente ou ligue para o SAMU pelo 192.









