O escape de fezes pode acontecer de duas formas principais: a pessoa sente uma urgência muito forte e não consegue chegar ao banheiro a tempo, ou as fezes saem sem que ela perceba. Diarreia, prisão de ventre, fraqueza dos músculos e alterações dos nervos que controlam o intestino estão entre as possíveis causas, e o problema não deve ser considerado uma consequência inevitável da idade.
Por que as fezes podem escapar?
O controle intestinal depende do funcionamento conjunto do reto, dos músculos do ânus e do assoalho pélvico, além dos nervos que coordenam essas estruturas. Quando alguma dessas partes não funciona adequadamente, pode ser mais difícil perceber a chegada das fezes ou mantê-las retidas até alcançar o banheiro.
Segundo o National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases, dos NIH, a incontinência fecal pode se manifestar tanto como vontade urgente de evacuar sem conseguir segurar quanto como passagem de fezes ou muco sem perceber.

Diarreia e prisão de ventre podem provocar o mesmo problema?
Sim, embora por mecanismos diferentes. Na diarreia, fezes líquidas chegam rapidamente ao reto e são mais difíceis de controlar do que fezes formadas. Isso pode fazer com que a vontade de evacuar apareça de forma muito súbita.
Já na prisão de ventre, fezes grandes e endurecidas podem ficar acumuladas e distender o reto. Fezes mais líquidas podem então passar ao redor desse conteúdo e escapar involuntariamente, dando a impressão de que a pessoa está apenas com diarreia.
Os músculos e nervos também podem estar envolvidos
Fraqueza ou lesões nos músculos que fecham o ânus podem dificultar a retenção das fezes. Isso pode ocorrer, por exemplo, depois de alguns partos, cirurgias ou traumas na região.
Alterações nos nervos também podem diminuir a sensibilidade do reto ou prejudicar a coordenação dos músculos. Algumas doenças neurológicas e condições que afetam os nervos podem contribuir para a incontinência fecal.
O que pode ajudar até a consulta?
Registrar como os episódios acontecem pode ajudar a identificar padrões e facilitar a investigação. Vale anotar:
- horário das evacuações e dos escapes;
- se houve urgência ou se a perda aconteceu sem perceber;
- consistência das fezes;
- presença de diarreia ou prisão de ventre nos dias anteriores;
- alimentos ou medicamentos associados aos episódios;
- frequência e quantidade aproximada das perdas.
Quando a pele ao redor do ânus fica frequentemente em contato com fezes, limpá-la suavemente e mantê-la seca ajuda a reduzir irritação. Produtos de barreira podem ser orientados por um profissional quando o problema é recorrente.

Quando os escapes precisam ser avaliados?
Vale procurar um médico quando os episódios são frequentes, importantes ou começam a limitar saídas de casa, trabalho, viagens ou vida social. O NIDDK também orienta avaliação quando a incontinência fecal interfere na qualidade de vida ou causa sofrimento emocional.
Escapes acompanhados de sangue nas fezes, dor abdominal persistente, febre, perda de peso, fraqueza nova ou outras alterações neurológicas também merecem atenção. Identificar se a causa está na consistência das fezes, nos músculos, nos nervos ou em outro problema intestinal permite direcionar o tratamento adequado.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento orientado por um médico.









