Tornozelos inchados podem surgir depois de muitas horas em pé, em dias quentes ou por problemas de circulação. Mas, quando o inchaço aparece junto com falta de ar que piora ao deitar, é importante investigar outras causas. Alterações no funcionamento do coração e dos rins podem favorecer o acúmulo de líquido no organismo, atingindo as pernas e, em algumas situações, os pulmões. Essa combinação de sintomas merece avaliação médica, especialmente quando é nova ou está piorando.
Por que problemas no coração podem causar pernas inchadas?
Quando o coração não consegue bombear o sangue de maneira eficiente, pode ocorrer aumento da pressão dentro dos vasos e retenção de sódio e água. Parte desse líquido se acumula nos tecidos, principalmente nas regiões mais baixas do corpo, provocando inchaço nos pés, tornozelos e pernas.
Uma revisão disponível no PubMed sobre formação de edema na insuficiência cardíaca explica que alterações circulatórias e hormonais favorecem a retenção de água e sódio, podendo resultar em edema periférico, congestão pulmonar e falta de ar. Esses sintomas, porém, não são suficientes para diagnosticar insuficiência cardíaca sozinhos.
Por que a falta de ar pode piorar quando a pessoa se deita?
A dificuldade para respirar ao ficar deitado é chamada de ortopneia. Nessa posição, parte do líquido que estava acumulado nas pernas durante o dia pode retornar à circulação e aumentar o volume de sangue que chega ao tórax. Em pessoas com determinados problemas cardíacos, isso pode agravar a congestão pulmonar e tornar a respiração mais difícil.
A pessoa pode perceber que precisa dormir com dois ou mais travesseiros, elevar a cabeceira ou até sentar para respirar melhor. A página do Tua Saúde sobre insuficiência cardíaca inclui falta de ar, dificuldade para dormir com a cabeceira baixa e inchaço nas pernas entre os sintomas que podem ocorrer nessa condição.

Os rins também podem provocar inchaço?
Sim. Os rins têm papel fundamental no controle da quantidade de água e sódio do organismo. Quando sua capacidade de eliminar essas substâncias diminui, pode ocorrer retenção de líquido, provocando edema principalmente nas pernas, pés e tornozelos.
Uma revisão sobre as causas e o tratamento do edema destaca que o inchaço periférico pode estar relacionado a diferentes doenças, inclusive alterações cardíacas e renais. Por isso, atribuir automaticamente o sintoma ao excesso de sal, ao calor ou à circulação pode atrasar a identificação da verdadeira causa.
Quais sinais merecem mais atenção?
O inchaço isolado nem sempre indica uma doença grave, mas a associação com sintomas respiratórios ou outras alterações deve ser valorizada. Procure avaliação médica se houver:
- falta de ar que aparece ou piora ao deitar;
- necessidade crescente de travesseiros para conseguir dormir;
- inchaço frequente ou progressivo nos pés e tornozelos;
- ganho rápido de peso em poucos dias;
- cansaço muito maior do que o habitual;
- diminuição importante da quantidade de urina;
- tosse ou falta de ar durante a noite.
Esses sinais podem ter diferentes explicações e precisam ser avaliados em conjunto com o histórico de saúde, exame físico e, quando necessário, exames de sangue, urina, eletrocardiograma ou ecocardiograma.

Quando é preciso procurar atendimento rapidamente?
Falta de ar nova ou que piora claramente ao deitar merece avaliação médica rápida, principalmente quando vem acompanhada de inchaço nas pernas. Se a dificuldade para respirar for intensa, surgir em repouso, piorar de forma súbita ou vier acompanhada de dor no peito, desmaio, confusão, lábios arroxeados ou sensação de sufocamento, é indicado procurar atendimento de emergência.
Não é recomendado iniciar diuréticos por conta própria para tentar eliminar o líquido. Esses medicamentos podem alterar a pressão, os eletrólitos e a função dos rins e só devem ser usados quando prescritos após a identificação da causa do inchaço.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação médica. Inchaço persistente nos tornozelos associado à falta de ar, especialmente ao deitar, deve ser investigado para identificar a causa e definir o tratamento adequado.









