Parar de comer doces pode ajudar no controle do diabetes, mas isso não significa que a glicose ficará automaticamente dentro da meta. Pão, arroz, massas, batata, biscoitos, frutas e outros alimentos com carboidratos também são transformados em glicose durante a digestão. Por isso, o controle depende do conjunto da alimentação, das porções, dos medicamentos, da atividade física e de outros fatores individuais.
Por que a glicose pode continuar alta mesmo sem comer doces?
O açúcar de mesa é apenas uma das fontes de carboidrato da alimentação. Após a digestão, carboidratos presentes em alimentos como pão, arroz e macarrão são quebrados em moléculas menores, incluindo glicose, que chega à corrente sanguínea. Assim, uma refeição sem sobremesa pode conter uma quantidade considerável de carboidratos e provocar aumento da glicemia.
Isso ajuda a explicar por que controlar o diabetes não significa apenas retirar chocolates, bolos ou refrigerantes. Quem acompanha os níveis de glicemia precisa considerar também o tipo e a quantidade dos demais alimentos consumidos ao longo do dia.
Quais alimentos também podem aumentar o açúcar no sangue?
Vários alimentos que não têm sabor doce fornecem carboidratos. O impacto sobre a glicemia varia de acordo com a quantidade ingerida, o processamento do alimento, a presença de fibras e a composição da refeição.
Entre as fontes de carboidratos que precisam ser consideradas estão:
- pães, torradas e biscoitos;
- arroz, macarrão e outros cereais;
- batata, mandioca, inhame e outros tubérculos;
- farinhas e preparações feitas com elas;
- frutas e sucos;
- leite e alguns derivados;
- doces, refrigerantes e outras bebidas açucaradas.

Isso significa que quem tem diabetes deve cortar todos os carboidratos?
Não. Não existe uma única quantidade ou distribuição de carboidratos adequada para todas as pessoas com diabetes. Um relatório de consenso sobre terapia nutricional para adultos com diabetes e pré-diabetes, publicado na revista Diabetes Care, destaca que o planejamento alimentar deve ser individualizado e considerar fatores como controle metabólico, preferências, medicamentos e rotina.
Em vez de simplesmente eliminar um grupo alimentar, pode ser necessário ajustar porções e priorizar fontes com melhor qualidade nutricional. A alimentação para diabetes costuma incluir verduras, legumes, cereais integrais e outros alimentos ricos em fibras, sempre em quantidades adequadas às necessidades individuais.
O que observar na alimentação para controlar melhor a glicose?
O controle deve considerar a refeição como um todo. Além de reduzir açúcares adicionados, é importante observar quanto carboidrato está sendo consumido e quais alimentos fazem parte do prato.
Alguns cuidados que podem ser orientados pelo médico ou nutricionista incluem:
- evitar grandes porções de carboidratos refinados em uma única refeição;
- preferir alimentos ricos em fibras sempre que possível;
- incluir verduras, legumes e fontes adequadas de proteína nas refeições;
- reduzir refrigerantes, doces e outros produtos ricos em açúcar adicionado;
- observar como diferentes refeições interferem na glicemia quando houver indicação de monitorização.

Quando a glicose alta precisa de avaliação?
Se a glicemia permanece acima das metas mesmo após mudanças na alimentação, isso não significa necessariamente que a pessoa esteja fazendo algo errado. O resultado também depende do tipo de diabetes, da produção e ação da insulina, dos medicamentos utilizados, do nível de atividade física, de doenças intercorrentes e até de alterações no tratamento.
Não se deve reduzir drasticamente os carboidratos nem modificar doses de insulina ou outros medicamentos por conta própria. O acompanhamento médico é indispensável para definir as metas de glicemia e ajustar o tratamento com segurança, e a orientação nutricional pode ajudar a adequar a quantidade e a distribuição dos carboidratos à rotina de cada pessoa.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico ou nutricionista.








