Tomar aspirina diária para tentar evitar um primeiro infarto ou AVC pode não trazer o benefício esperado depois dos 70 anos. Embora o medicamento diminua a formação de coágulos, ele também aumenta a possibilidade de sangramentos, por isso o uso preventivo nessa faixa etária deve ser revisto com o médico. Isso é diferente de quem já teve uma doença cardiovascular ou recebeu uma indicação específica para continuar o tratamento.
Por que a aspirina pode ser menos vantajosa depois dos 70?
A aspirina, também chamada de ácido acetilsalicílico ou AAS, reduz a agregação das plaquetas, células que participam da formação de coágulos. Esse efeito pode ser útil para evitar a obstrução de uma artéria, mas também dificulta a interrupção de alguns sangramentos.
De acordo com a American Heart Association, o uso rotineiro de aspirina em baixa dose para prevenir um primeiro infarto ou AVC não é recomendado para pessoas com mais de 70 anos. Nessa situação, o risco de complicações, especialmente sangramentos, pode superar o possível benefício cardiovascular.

Prevenção primária e secundária não são a mesma coisa
A recomendação não significa que toda pessoa com mais de 70 anos precise interromper a aspirina. É importante distinguir duas situações. A prevenção primária ocorre quando a pessoa nunca teve infarto, AVC ou outra doença cardiovascular importante e toma o medicamento apenas para tentar evitar o primeiro evento.
Já a prevenção secundária ocorre quando existe uma doença cardiovascular conhecida. A aspirina pode fazer parte do tratamento, por exemplo, para pessoas que:
- já tiveram um infarto;
- já tiveram um AVC isquêmico em situações nas quais o medicamento foi indicado;
- passaram pela colocação de um stent coronariano;
- fizeram cirurgia de revascularização do coração;
- receberam uma prescrição individual por outra condição cardiovascular.
Nesses casos, não se deve suspender a aspirina por conta própria. Interromper um medicamento antiplaquetário indicado após um evento cardiovascular ou procedimento pode aumentar riscos e precisa ser discutido com o profissional responsável.
Por que o risco de sangramento precisa entrar na decisão?
O uso regular de aspirina pode favorecer sangramentos no estômago, intestino e em outras partes do organismo. A probabilidade também depende de fatores individuais, como histórico de úlcera ou hemorragia, uso de outros medicamentos que aumentam o risco de sangramento, consumo de álcool e algumas doenças.
O ácido acetilsalicílico também pode causar irritação no estômago e outros efeitos adversos. Por isso, mesmo uma dose baixa usada há muitos anos não deve ser considerada automaticamente necessária ou inofensiva.
O que deve ser revisto com o médico?
Quem passou dos 70 anos e usa aspirina diariamente sem saber exatamente por que começou pode aproveitar uma consulta para revisar a indicação. O profissional pode considerar o histórico cardiovascular, pressão arterial, colesterol, diabetes, tabagismo, outros medicamentos e o risco de sangramento antes de decidir se o tratamento ainda faz sentido.
Algumas perguntas úteis nessa revisão são:
- Estou tomando aspirina para evitar o primeiro evento cardiovascular ou porque já tive alguma doença?
- A indicação feita anos atrás ainda é adequada para minha idade e situação atual?
- Uso outros medicamentos que aumentam o risco de sangramento?
- Tenho histórico de úlcera, hemorragia ou anemia?

Quais sinais exigem atendimento?
Sangramentos importantes durante o uso de aspirina precisam de avaliação médica. Fezes pretas ou com sangue, vômito com sangue, sangramento que não para, fraqueza intensa, palidez acentuada, tontura importante ou desmaio são sinais que justificam atendimento rápido.
Para quem nunca teve infarto ou AVC e começou a tomar aspirina por conta própria ou por uma recomendação antiga, completar 70 anos é um bom momento para revisar essa decisão. O objetivo não é interromper automaticamente o medicamento, mas verificar se os benefícios ainda são maiores que os riscos para aquela pessoa.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento orientado por um médico.








