Olhos secos que persistem mesmo com o uso de colírios podem ter diversas causas, como excesso de telas, uso de lentes de contato, alterações hormonais, medicamentos, doenças autoimunes e problemas nas glândulas das pálpebras. Em algumas pessoas, fatores nutricionais também entram nessa investigação, especialmente quando há deficiência de vitamina A ou uma alimentação pobre em fontes de ômega 3. Isso não significa, porém, que mudar a dieta ou tomar suplementos seja suficiente para tratar todo caso de olho seco.
Como a vitamina A participa da lubrificação dos olhos?
A vitamina A ajuda a manter a integridade da córnea e da conjuntiva, estruturas que revestem e protegem a superfície ocular. Sua deficiência pode comprometer essas células e favorecer a xeroftalmia, condição que pode provocar ressecamento dos olhos, alterações na córnea e dificuldade para enxergar em ambientes pouco iluminados.
Uma revisão publicada no Eye sobre vitamina A e saúde ocular descreve alterações nos olhos associadas tanto à deficiência quanto ao excesso desse nutriente. Na alimentação, a vitamina A pode ser obtida de alimentos como fígado, ovos e laticínios, enquanto vegetais alaranjados e verde-escuros fornecem carotenoides que o organismo pode converter em vitamina A.
O ômega 3 pode fazer diferença no olho seco?
Os ácidos graxos ômega 3, encontrados principalmente em peixes como sardinha, salmão e cavalinha, têm sido estudados por sua relação com a inflamação e com a qualidade da camada de gordura do filme lacrimal. Essa camada ajuda a diminuir a evaporação das lágrimas e depende, entre outros fatores, do funcionamento adequado das glândulas de Meibômio presentes nas pálpebras.
Entretanto, os resultados dos estudos sobre suplementação de ômega 3 não são uniformes. Uma análise de ensaios clínicos sobre ômega 3 e doença do olho seco encontrou melhora em alguns sintomas e testes da lágrima. Já o grande ensaio clínico DREAM, publicado no New England Journal of Medicine, não observou benefício significativamente maior com suplementos de ômega 3 em comparação ao placebo após 12 meses. Por isso, a suplementação não deve ser tratada como solução garantida.

Quando vale observar também a alimentação?
A possibilidade de deficiência nutricional merece mais atenção quando o ressecamento aparece junto de dieta muito restritiva, dificuldade de absorção de nutrientes, cirurgia gastrointestinal ou outras condições que aumentem o risco de carências. No caso da vitamina A, dificuldade para enxergar no escuro pode ser mais uma pista que exige investigação.
Algumas medidas alimentares que contribuem para uma dieta adequada incluem:
- consumir regularmente vegetais como cenoura, abóbora, couve e espinafre;
- incluir ovos, leite e derivados ou outras fontes adequadas de vitamina A;
- variar as fontes de gorduras saudáveis na alimentação;
- consumir peixes ricos em ômega 3, conforme as necessidades individuais;
- evitar iniciar doses elevadas de suplementos sem orientação profissional.
O Tua Saúde reúne outras possíveis explicações em seu conteúdo sobre as principais causas de olho seco e o que fazer.
Por que o colírio pode não resolver sozinho?
Lágrimas artificiais podem aliviar o desconforto, mas não corrigem necessariamente o problema responsável pelo ressecamento. Algumas pessoas produzem pouca lágrima, enquanto outras apresentam evaporação excessiva, inflamação das pálpebras ou alterações na composição do filme lacrimal. Até o tipo de colírio utilizado pode precisar ser revisto.
Além disso, ficar muitas horas diante de telas reduz a frequência das piscadas, e ar-condicionado, vento, lentes de contato, menopausa e certos medicamentos podem contribuir para os sintomas. Por isso, a persistência do quadro não deve ser automaticamente atribuída a uma deficiência de vitaminas ou gorduras na alimentação.

Quando é importante procurar um oftalmologista?
Se ardência, sensação de areia, vermelhidão ou visão embaçada continuam apesar das medidas habituais, o oftalmologista pode avaliar a produção, a estabilidade e a qualidade das lágrimas e procurar sinais de outras doenças. Dor intensa, piora repentina da visão, muita sensibilidade à luz ou vermelhidão importante exigem avaliação mais rápida.
Quando houver suspeita de deficiência nutricional, exames e avaliação médica ou nutricional podem indicar se realmente existe necessidade de modificar a alimentação ou utilizar suplementos. O excesso de vitamina A, por exemplo, também pode ser prejudicial, portanto doses elevadas não devem ser usadas por conta própria.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um oftalmologista, médico ou nutricionista.








