A tendinite pode aparecer no braço, mas também é frequente nos ombros, cotovelos, punhos, joelhos, quadris e tornozelos. A dor geralmente fica concentrada na região do tendão, piora quando ele é exigido e pode vir acompanhada de sensibilidade, rigidez e redução da força. Quando o desconforto persiste ou reaparece sempre com determinados movimentos, ele se diferencia de uma dor muscular passageira após um esforço incomum.
O que acontece com o tendão quando surge a dor?
Os tendões são estruturas resistentes que conectam músculos aos ossos e transmitem a força necessária para movimentar as articulações. Sobrecarga, aumento repentino da atividade ou movimentos repetitivos podem ultrapassar a capacidade de adaptação dessas estruturas e provocar dor.
Embora o termo “tendinite” seja muito utilizado, nem todo problema persistente no tendão é simplesmente uma inflamação. Uma revisão publicada na Nature Reviews Disease Primers sobre tendinopatia descreve alterações que podem envolver desorganização das fibras de colágeno, mudanças celulares e mediadores inflamatórios. Por isso, nos quadros crônicos, profissionais frequentemente utilizam o termo tendinopatia.
Onde a tendinite costuma aparecer?
Qualquer tendão pode ser afetado, mas algumas regiões recebem mais carga no trabalho, nos exercícios e nas atividades cotidianas. Entre os locais mais comuns estão:
- ombro: especialmente os tendões do manguito rotador;
- cotovelo: como nos quadros conhecidos como cotovelo de tenista e de golfista;
- punho e mão: após movimentos repetitivos ou sobrecarga;
- joelho: principalmente no tendão patelar;
- quadril: podendo envolver os tendões glúteos;
- tornozelo e calcanhar: especialmente o tendão de Aquiles.
Esses também estão entre os locais mais frequentemente associados às tendinopatias por sobrecarga na literatura científica.

Quais sinais diferenciam a tendinite de uma dor muscular comum?
Uma dor muscular após exercício ou esforço diferente do habitual costuma ser mais difusa e tende a melhorar progressivamente com descanso e recuperação. Já a dor relacionada ao tendão normalmente apresenta um ponto mais específico e pode ser reproduzida quando aquela estrutura é carregada.
Os sinais que chamam mais atenção incluem:
- dor localizada próxima a uma articulação;
- sensibilidade ao pressionar o trajeto do tendão;
- dor que aumenta durante determinado movimento ou esforço;
- rigidez, principalmente após períodos de repouso;
- diminuição da força ou dificuldade para realizar tarefas habituais;
- inchaço em alguns casos.
Uma revisão disponível no PubMed descreve a dor localizada relacionada à carga, a sensibilidade do tendão e a reprodução do desconforto durante testes de movimento como elementos importantes na avaliação dos problemas tendíneos por sobrecarga.
Por que os movimentos repetitivos favorecem o problema?
O tendão consegue se adaptar ao esforço, mas precisa de tempo para isso. Quando uma pessoa aumenta bruscamente a carga do treino, repete inúmeras vezes o mesmo movimento no trabalho ou mantém uma atividade acima da capacidade atual do tecido, a recuperação pode não acompanhar a exigência.
Isso explica por que a condição pode surgir tanto em atletas quanto em pessoas que trabalham realizando movimentos repetitivos. O Tua Saúde explica que esforços intensos ou repetitivos estão entre as causas mais frequentes de tendinite e que os sintomas podem incluir dor, rigidez e dificuldade para movimentar a região afetada.

Quando a dor no tendão precisa ser avaliada?
Uma dor leve após esforço pode melhorar com a redução temporária da atividade que a provocou. Entretanto, é importante procurar avaliação quando o desconforto persiste, piora progressivamente, retorna com frequência ou começa a limitar movimentos e tarefas do cotidiano.
Dor súbita e muito intensa acompanhada de estalo, deformidade, incapacidade de movimentar a articulação ou perda importante de força exige atenção mais rápida, pois pode indicar uma lesão mais significativa, incluindo ruptura do tendão. O diagnóstico adequado também ajuda a diferenciar tendinopatia de problemas musculares, articulares ou outras condições que provocam sintomas semelhantes.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. Dor persistente, perda de força ou limitação dos movimentos deve ser avaliada por um profissional de saúde para identificar a causa e orientar o tratamento adequado.








