O cotonete parece a escolha óbvia para limpar as orelhas depois do banho. Mesmo assim, otorrinolaringologistas desaconselham seu uso dentro do canal auditivo. A cera de ouvido protege o canal e costuma sair sozinha. Quando a haste entra no conduto, ela empurra esse material para perto do tímpano. Ali a cera endurece e pode formar uma rolha de cera, que causa desconforto e perda de audição.
Por que o cotonete atrapalha a limpeza natural do ouvido?
O cerúmen é produzido por glândulas sebáceas e ceruminosas na parte externa do canal auditivo. Ele mistura secreção, células mortas da pele e poeira. O resultado é uma barreira levemente ácida contra fungos, bactérias e água. A mastigação e a fala movimentam a mandíbula e empurram essa camada, aos poucos, em direção à saída da orelha.
A ponta de algodão remove só a parte superficial e aperta o restante no fundo. Com o hábito diário, a cera compactada fica presa onde a limpeza natural não alcança. A haste ainda pode arranhar a pele fina do conduto e retirar a camada oleosa que o protege, o que facilita a otite externa. Basta um movimento brusco, como um esbarrão no cotovelo, para perfurar o tímpano.
O que as pesquisas mostram sobre o acúmulo de cera?
Uma revisão sistemática publicada em abril de 2026 analisou diretrizes clínicas de diferentes países. O objetivo era apoiar o pacote de cuidados auditivos da Organização Mundial da Saúde. As diretrizes concordam em três frentes. A primeira é orientar o paciente. A segunda é confirmar o diagnóstico pelos sintomas e pela otoscopia. A terceira é tratar o cerúmen impactado com gotas amolecedoras, irrigação ou remoção manual. O levantamento também reforçou que objetos inseridos no ouvido empurram a cera e causam lesões.
Na prática, a cera de ouvido raramente precisa de intervenção. Ela só vira problema quando bloqueia o canal ou provoca sintomas. O exame com otoscópio mostra a diferença entre uma camada normal, que deve ficar onde está, e um acúmulo que pede tratamento.

Quais sintomas indicam uma rolha de cera?
A rolha de cera aparece quando o cerúmen fecha parte do canal auditivo ou o canal inteiro. Os sinais mais frequentes são:
- Sensação de ouvido tampado ou cheio
- Diminuição da audição em um dos lados
- Zumbido ou eco da própria voz
- Coceira e dor leve no conduto
- Tontura, quando o bloqueio é maior
Esses sinais costumam piorar depois do banho ou da piscina. A água faz a cera endurecida inchar e fechar o canal de vez. Antes de tentar qualquer solução caseira, ajuda conhecer como tratar o cerume impactado e saber quais situações exigem exame médico.
Quem tem mais tendência a formar tampões no canal auditivo?
Algumas pessoas produzem cerúmen mais seco ou em maior quantidade. Nos idosos, a pele do canal perde elasticidade, e a cera tem mais dificuldade para sair sozinha. Quem usa aparelho auditivo ou fones intra-auriculares bloqueia a saída do material por horas seguidas. Canais estreitos ou com muitos pelos também favorecem o acúmulo. Para esse grupo, consultas regulares com o otorrino evitam que o canal feche por completo.
Como limpar as orelhas do jeito certo?
A cera de ouvido sai sozinha na maioria das pessoas. Por isso, a limpeza correta acontece do lado de fora. Algumas medidas seguras:
- Lavar a parte externa e a parte de trás da orelha com água e sabonete no banho
- Secar a entrada do canal com a ponta da toalha, nunca com cotonete
- Usar gotas cerumenolíticas de farmácia só com orientação médica, para amolecer cera ressecada
- Evitar velas de ouvido, grampos, tampas de caneta e chaves, que ferem a pele e não removem a cera
- Usar tampões na piscina se houver tendência a acúmulo
Os kits vendidos para uso em casa também não resolvem. Um ensaio randomizado de 2025 comparou cotonete, irrigador e ferramentas em espiral em adultos. Para a maioria dos participantes, a quantidade de cera não diminuiu. Em alguns casos o acúmulo piorou. A complicação mais comum foi a cera ser empurrada para dentro do canal.
A remoção segura fica com o otorrinolaringologista
Procure um otorrinolaringologista se o ouvido ficar tampado por mais de três dias. O mesmo vale para dor, secreção, febre ou perda auditiva súbita. No consultório, o médico retira a rolha de cera com lavagem, aspiração ou microcuretas, sempre vendo o tímpano diretamente. Quem tem diabetes, já teve o tímpano perfurado ou passou por cirurgia no ouvido não deve fazer lavagens em casa.
As informações deste texto têm caráter educativo e não substituem a avaliação, o diagnóstico ou o acompanhamento de um médico. Em caso de dor, secreção ou alteração na audição, procure atendimento profissional.








