A esporotricose é uma infecção causada por fungos do gênero Sporothrix e pode atingir pessoas e animais. No Brasil, os gatos têm papel importante na transmissão zoonótica, principalmente quando estão doentes e apresentam lesões na pele. Arranhões, mordidas e o contato direto com secreções de feridas podem permitir a entrada do fungo pela pele. Isso não significa, porém, que todo contato com gatos ofereça risco: a preocupação maior existe diante de animais infectados ou com lesões suspeitas.
Como a esporotricose passa do gato para a pessoa?
O fungo pode entrar no organismo por pequenos ferimentos na pele após uma arranhadura, mordida ou contato com secreções de um animal infectado. Uma revisão publicada em 2024 destaca que a esporotricose transmitida por gatos se tornou um problema relevante de saúde pública na América Latina, especialmente no Brasil, onde a espécie Sporothrix brasiliensis tem grande importância.
A infecção também pode ocorrer sem participação de gatos, pelo contato de uma lesão na pele com solo, espinhos, madeira ou matéria vegetal contaminada. Segundo o Ministério da Saúde, atualmente o gato é o principal transmissor da forma zoonótica da doença.
Quais sinais podem aparecer em pessoas e nos gatos?
Em humanos, a manifestação mais frequente começa na pele, muitas vezes como um pequeno nódulo ou ferida no local por onde o fungo entrou. Com o tempo, podem surgir outros caroços seguindo o trajeto dos vasos linfáticos. Existem também formas menos comuns que atingem articulações, ossos, pulmões ou outros órgãos.
Nos gatos, é importante observar principalmente:
- feridas que não cicatrizam;
- úlceras ou crostas no focinho, cabeça, orelhas ou patas;
- áreas com perda de pelos;
- lesões com secreção;
- espirros ou outros sinais associados quando há comprometimento de outras regiões.
Uma ferida parecida com a descrita não confirma a doença sozinha. Tanto o diagnóstico humano quanto o veterinário precisam de avaliação profissional. Para entender as manifestações em pessoas, há mais informações sobre sintomas, diagnóstico e tratamento da esporotricose.

Como diminuir o risco ao cuidar de um gato com suspeita?
Um gato com feridas suspeitas deve ser levado ao veterinário e mantido em local seguro, separado de outros animais e com contato reduzido com pessoas até receber orientação. Não se deve abandonar o animal, pois isso aumenta a possibilidade de transmissão para outros gatos e favorece a circulação do fungo no ambiente.
Alguns cuidados recomendados são:
- evitar tocar diretamente nas lesões ou secreções;
- usar luvas ao manipular o animal doente ou seus materiais;
- lavar as mãos depois do contato;
- limpar regularmente recipientes, mantas, brinquedos e locais utilizados pelo gato;
- evitar brincadeiras que favoreçam arranhões ou mordidas durante o tratamento.
O Ministério da Saúde orienta que animais com suspeita sejam isolados e avaliados por médico veterinário. Se o animal morrer devido à doença, ele não deve ser enterrado no quintal nem descartado no lixo comum, pois isso pode contaminar o ambiente.
Como é feito o tratamento em pessoas e animais?
Em humanos, o tratamento costuma ser feito com antifúngicos prescritos pelo médico, sendo o itraconazol uma das opções frequentemente utilizadas nas formas cutâneas. A duração pode se estender por meses e depende da forma da doença, da resposta ao tratamento e das condições de saúde da pessoa. Casos disseminados ou que atingem outros órgãos podem exigir esquemas diferentes.
Os gatos também precisam de tratamento veterinário com antifúngicos e acompanhamento até que haja controle adequado das lesões. Uma revisão sobre casos animais publicada em 2025 observou que o itraconazol é amplamente utilizado no tratamento da esporotricose felina, mas a escolha do medicamento, a dose e a duração precisam ser definidas pelo veterinário. Dar medicamentos humanos ao pet ou interromper o tratamento após a melhora aparente pode prejudicar o controle da infecção.

O que fazer depois de um arranhão ou contato suspeito?
A região deve ser lavada com água e sabão. Se o gato tiver diagnóstico ou suspeita de esporotricose, ou se surgir uma ferida que aumenta, não cicatriza ou vem acompanhada de novos nódulos, é indicado procurar atendimento médico e informar o contato com o animal.
Tratar a pessoa sem cuidar do gato, ou tratar o gato ignorando pessoas expostas, dificulta o controle da doença. A abordagem mais segura envolve atendimento médico quando houver suspeita em humanos e avaliação veterinária do animal, além de medidas para reduzir novos contatos com o fungo.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica ou veterinária. Feridas persistentes após contato com gato doente devem ser investigadas por um profissional de saúde, e animais com lesões suspeitas precisam ser avaliados por médico veterinário.








