A relação entre menopausa e coração merece atenção porque essa fase pode vir acompanhada de mudanças no colesterol, na distribuição de gordura corporal, na pressão arterial e na forma como o organismo utiliza a insulina.
Isso não significa que a menopausa cause necessariamente uma doença cardiovascular. Porém, ela representa um bom momento para revisar fatores de risco que muitas vezes passam despercebidos quando a atenção fica concentrada apenas nos fogachos e em outras mudanças hormonais.
O que muda ao redor da menopausa
Durante a transição menopausal, a redução dos hormônios ovarianos acontece ao mesmo tempo em que o organismo passa por mudanças naturais relacionadas à idade.
Uma declaração científica da American Heart Association destaca alterações desfavoráveis em composição corporal, lipídios e saúde vascular durante essa fase, reforçando a importância de acompanhar a saúde cardiovascular na meia-idade.

O que vale revisar nessa fase
A consulta pode ser uma oportunidade para avaliar fatores modificáveis que influenciam o risco cardiovascular. Entre os principais estão:
- pressão arterial;
- colesterol e triglicerídeos;
- glicose no sangue;
- peso e circunferência abdominal;
- atividade física e qualidade do sono;
- tabagismo.
Essas informações devem ser analisadas em conjunto, porque nenhum resultado isolado determina sozinho o risco de uma pessoa desenvolver doença cardiovascular.
Estudo mostra mudanças cardiovasculares na menopausa
A revisão Menopause transition and cardiovascular disease risk, publicada na revista Maturitas em 2024, descreve a transição menopausal como um período associado a mudanças cardiometabólicas, incluindo alterações na composição corporal, pressão arterial, lipoproteínas e resistência à insulina.
Os autores destacam que a menopausa pode contribuir para o aumento do risco cardiovascular além das mudanças decorrentes apenas da idade, embora os dois processos estejam interligados. O Menopause transition and cardiovascular disease risk.
Hábitos continuam tendo papel importante
A menopausa não significa que problemas cardiovasculares sejam inevitáveis. Medidas de prevenção continuam importantes e podem ser ajustadas de acordo com os exames e o histórico de cada pessoa.
- praticar atividade física regularmente;
- manter alimentação equilibrada;
- evitar cigarro;
- priorizar sono adequado;
- acompanhar pressão, glicose e colesterol;
- usar corretamente medicamentos prescritos.
Também vale conhecer outras mudanças e sintomas da menopausa para discutir o que estiver interferindo na qualidade de vida.

Quando os sintomas precisam de atendimento rápido
Nem todo desconforto nessa fase deve ser atribuído aos hormônios. Sintomas cardiovasculares novos ou intensos precisam ser avaliados independentemente de a pessoa estar ou não na menopausa.
Dor ou pressão no peito, falta de ar incomum, desmaio, suor frio ou mal-estar intenso exigem atendimento médico imediato, principalmente quando surgem de forma súbita.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o acompanhamento realizado por um médico.








