O alho não funciona como um anti-inflamatório capaz de tratar sozinho uma doença, mas seus compostos bioativos podem contribuir para modular processos inflamatórios quando ele faz parte de uma alimentação equilibrada. Grande parte desse interesse está relacionada aos compostos de enxofre, especialmente a alicina e substâncias formadas a partir dela. Estudos em humanos encontraram alterações em alguns marcadores de inflamação, embora os resultados dependam da preparação utilizada, da dose e das características de cada pessoa.
O que acontece com o alho quando ele é cortado ou amassado?
O dente de alho inteiro contém uma substância chamada aliina e uma enzima conhecida como aliinase. Quando o alho é cortado, mastigado ou amassado, essas estruturas entram em contato e ocorre a formação da alicina, um dos principais compostos sulfurados estudados no alho fresco.
Uma revisão disponível no PubMed detalha a formação e as ações biológicas da alicina, incluindo sua participação em mecanismos relacionados ao estresse oxidativo e à sinalização inflamatória. Outros derivados sulfurados do alho, como dissulfeto e trissulfeto de dialila, também são investigados, principalmente em estudos experimentais.
Como esses compostos podem interferir na inflamação?
A inflamação é uma resposta normal do organismo a infecções, lesões e outros estímulos. O problema aparece quando determinados mecanismos inflamatórios permanecem ativados por períodos prolongados. Compostos sulfurados presentes no alho podem interferir em vias celulares envolvidas na produção de moléculas inflamatórias e na resposta ao estresse oxidativo.
Há também evidências clínicas. Uma análise de 17 ensaios randomizados publicada em 2020 avaliou os efeitos da suplementação de alho sobre marcadores inflamatórios. Os pesquisadores observaram redução da proteína C-reativa em participantes que receberam preparações de alho, enquanto o efeito sobre a interleucina-6 não foi significativo. Extratos de alho envelhecido apresentaram resultados favoráveis também para o TNF-alfa em algumas análises.

Quanto alho é necessário consumir no dia a dia?
Os estudos clínicos utilizam preparações e concentrações muito diferentes, incluindo extratos e suplementos. Por isso, não é correto transformar as doses usadas em pesquisas diretamente em uma quantidade obrigatória de dentes de alho por dia. Na alimentação habitual, ele pode simplesmente ser utilizado como tempero em preparações como feijão, legumes, carnes, sopas e molhos.
Algumas formas práticas de incluí-lo são:
- usar alho picado ou amassado para temperar refeições;
- combiná-lo com azeite, ervas e outros temperos naturais;
- utilizá-lo para reduzir a dependência de temperos industrializados ricos em sódio;
- alternar alho cru e cozido de acordo com a tolerância e a preparação.
O alho também aparece entre os alimentos com compostos de potencial anti-inflamatório, mas o padrão alimentar completo tende a ser mais importante do que concentrar a dieta em um único ingrediente.
Comer alho cru é melhor do que cozido?
Como a alicina surge principalmente depois que o alho cru é danificado, picar ou amassar o dente favorece sua formação. O aquecimento pode modificar parte desses compostos, especialmente quando é intenso ou prolongado. Isso não significa, porém, que o alho cozido deixe de ter valor nutricional ou que seja necessário consumir grandes quantidades cruas.
Na prática, a melhor escolha é aquela que pode ser mantida dentro da alimentação sem provocar desconforto. O alho cru pode causar azia, gases, náusea ou irritação gastrointestinal em algumas pessoas. Para conhecer outras formas de consumo e seus cuidados, é possível consultar as orientações sobre benefícios e formas de usar o alho.

Quando o alho não deve ser usado como solução para a inflamação?
Dor persistente, inchaço, febre, vermelhidão, rigidez nas articulações ou outros sintomas recorrentes não devem ser tratados apenas aumentando o consumo de alho. Inflamação pode estar relacionada a infecções, doenças autoimunes, problemas articulares e várias outras condições que precisam de diagnóstico adequado.
Além disso, suplementos concentrados de alho merecem cautela porque podem aumentar o risco de sangramento e interagir com medicamentos, especialmente anticoagulantes e antiagregantes. O alho usado na alimentação pode ser um complemento saudável, mas não substitui medicamentos nem o acompanhamento médico quando existe uma doença inflamatória.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica ou nutricional. Sintomas persistentes ou recorrentes devem ser investigados por um profissional de saúde.








